Um repórter das antigas...

Foto: Jô Rabelo

 

 

Entrevistar Cid Moreira foi uma aventura.

 

Ele estava lançando uma série de CDs em que narrava passagens da vida de Cristo.

 

Só que o apresentador tem histórias e mais histórias sobre os bastidores do rádio e da TV que levavam os repórteres para longe da pauta dos assuntos bíblicos, motivo da coletiva.

 

Um exemplo.

 

Era Cid quem dava a cara para bater quando, nos primórdios do Jornal Nacional, as coisas não saíam exatamente como estava previsto na lauda – naquele tempo, não havia telepronter.

 

Ele, todo solene, cabelos já levemente tingidos com uma seiva de babosa, anunciava a posse de um presidente – e, no vídeo, aparecia uma vaca mugindo, parte de uma outra reportagem qualquer.

 

As câmeras se voltavam para ele que, sem perder a pose, sacramentava:

 

-- Desculpem a nossa falha!

 

Bordão que se consagrou tempos afora...

 

II.

 

Foi um dia tenso na Redação.

 

Choveu muito.

 

Ruas alagadas, trânsito caótico e uma grave ocorrência.

 

As paredes e os muros de uma antiga fábrica caíram em cima de alguns veículos que estavam parados na avenida do Estado. Esperavam abrir o sinal na pista centro-bairro, ali no cruzamento com o Viaduto Pacheco Chaves.

 

Eu e o fotógrafo Anísio Assumpção chegamos ao local – e vimos cenas tristes.

 

Preferi não ver a retirada do corpo do motorista de um caminhão que estava sob os escombros.

 

Escrevi a reportagem ainda chocado com o que vi. Mas, sobretudo, a fragilidade da vida humana e o efêmero da vida de cada um de nós.

 

III.

 

À noite, estávamos, quase todo o pessoal da Redação, no Teatro Itália.

 

Sobraram convites para uma das tantas reestréias de Os Mistérios de Irma Vap, com Nanini e Ney Latorraca.

 

Acho que nunca ri em tanto com uma peça de teatro.

 

Vá entender, ladeira abaixo, a vida de um repórter das antigas...

 

IV. 

 

Uso o bordão de Cid Moreira  para justificar nossa ausência por tantos dias. Retomo o blog do ponto zero. Sem perder a pose, claro. Longe de ser um problema, passa a ser um novo e agradável desafio. Já que é o passo que faz o caminho, caminhemos, pois...

 

 

* OS TEXTOS PUBLICADOS ATÉ 27/11 ESTÃO À DISPOSIÇÃO DOS LEITORES NO SEGUINTE ENDEREÇO:  www.rodolfomartino2.blog.uol.com.br



Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h40
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem

Rodolfo Carlos Martino é mestre em Comunicação Social. Leciona na Universidade Metodista, onde responde pela coordenação do curso de jornalismo, desde 2005. Foi diretor de Redação de Gazeta do Ipiranga por 28 anos. Autor do livro "Às Margens Plácidas do Ipiranga".

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