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Ô o Vascão voltôôô, o Vascão voltôôô, O Vascão voltôôô ô...

Foto: Jô Rabelo Antes de mais nada, a informação. Para quem não se liga na Segundona explico rapidamente: Neste ensolarado sábado, o Vasco venceu o Juventude por 2x1, em jogo sofrível, mas com um Maracanã lotadasso: mais de 81 mil pessoas presentes. Com essa vitória, abriu 13 pontos do quinto colocado – o Figueirense. Como faltam quatro rodadas para o fim do campeonato, um lugar entre os quatro primeiros – e o conseqüente acesso – está matematicamente assegurado. Agora, a ressalva: Quem aqui me acompanha sabe que sou palmeirense. E nem sou do tipo que torce por um clube em cada estado, em cada país, em cada planeta. Concluindo, o comentário: Tenho bons motivos para estar feliz com a volta do Vasco à elite do futebol brasileiro. A saber: A história do Vasco é muito linda. É o primeiro clube brasileiro a reconhecer que o futebol era mesmo um esporte popular. Foi o primeiro a abrir as portas para os negros, lá nos antigamente, quando só à elite era dado o direito de correr atrás da redonda. Outro ponto. Depois de anos subjugado por uma administração autoritária e desastrosa, é bonito ver esse renascimento nas mãos do presidente/ídolo/boleiro, Roberto Dinamite. Importante essa volta por cima, no campo e fora dele, que o Vasco está dando. Ressalto também o trabalho de Dorival Júnior como técnico. Não tenho duvido que esta conquista o coloca entre os melhores do Brasil. Gosto da serenidade de suas declarações. Nas vitórias e nas derrotas. Tem juízo e um futuro promissor. Por fim, a recuperação de um garoto bom de bola, Carlos Alberto, que até então andava ruim da cabeça, o que o fazia “doente” do pé. Meus aplausos, pois, pois, à nação cruzmaltina.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h46
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A Voz do Mestre

Foto: Camila Bevilacqua “Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora. Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo Amanhã, porque o Amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade. “Vim para viver na glória do Amor e na luz da beleza, que são reflexos de Deus. Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte. “Vim aqui para ser todos e com todos, e o que faço Hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens. “O que digo hoje com apenas meu coração será dito Amanhã por milhares de corações.” Kahli Gibran, no prefácio do livro A Voz do Mestre. - Os textos de Gibran (1883-1931), escritor e artista plástico libanês, pretendiam promover o auto-conhecimento e fazer com que as pessoas se descobrissem como ponto de partida “para a descoberta da beleza, o deslumbramento da verdade e a revelação de Deus”. Uma busca cada vez mais ausente entre as premissas da sociedade contemporânea. “O Profeta” foi seu livro de maior sucesso.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h05
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Chiquinho Batista

Foto: Walter Silva Eu o chamava de “O Vereador do Ipiranga”. Seu nome: Francisco dos Santos Batista Filho. Chiquinho Batista, para o eleitorado que o escolheu lá nos confins dos anos 50 para duas ou três legislaturas. Era janista convicto. E foi o fundador de Gazeta do Ipiranga, onde atuou até 1961, quando vendeu o semanário para o casal Tonico Marques e Araci Bueno. Quando eu o conheci, fim dos anos 70, ele estava afastado das lides públicas. Beirava os 60 anos e, numa das tantas entrevistas que fiz com ele, me garantiu que só voltaria à vida pública “o grande Jânio Quadros” (no entender dele) o convocasse. Foi o que aconteceu em 1985. Contra tudo e contra todos, Jânio deu um chocolate eleitoral em Fernando Henrique Cardoso e se tornou prefeito de São Paulo. Chiquinho se fez vereador. Sua volta à Câmara Municipal não foi tão bombástica quanto das vezes anteriores. Ele apenas sorria quando comentávamos o episódio em que levou um cesto de cobras à Prefeitura e as soltou no gabinete do prefeito Prestes Maia. A cena entrou para o folclore da política paulistana. -- O homem não quis acreditar quando lhe disse que o Alto do Ipiranga estava infestado de cobras. Foi o jeito que dei para provar o que eu dizia. Agora, eu não faria isso. Àquela altura da vida, Chiquinho já desenvolvia um tratado próprio de Filosofia e Doutrina que dividia em capítulos. A cada um desses manifestos, denominava de “Mensagens Cósmicas” e, impressos em papel sulfite e grampeados, presenteava amigos e pessoas interessadas em suas perolações. Não fui propriamente um amigo de Chiquinho Batista, mas recebi uma dessas mensagens, a de número 10. Tem 197 tópicos. Um deles fala dos cinco sentidos da vida, segundo o autor. A saber: Austeridade. Generosidade. Sinceridade. Seriedade. Gentileza. “Se for austero, será respeitado. Generoso, conquistará tudo. Sincero, se fará confiável. Com seriedade, sempre alcançará êxito. E o homem gentil é um ser superior”. Lembrei dele hoje quando vasculhei meus guardados e encontrei a rústica apostila. Chiquinho era Rosa Cruz; e cumprimentava o Sol, sempre ao meio-dia.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 03h17
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No mundo da lua

Foto: Jô Rabelo Foi na tarde de segunda. Feriadão e coisa e tal. Estava em casa de bobeira, no mundo da lua, brincando com o controle remoto e pimba! Reencontro o cantor/compositor Guilherme Arantes após longos anos sem notícias do moço. A esta altura da vida, um jovem e falante senhor. Ele repassa seus grandes sucessos sob o olhar de admiração da apresentadora do programa, Kátia Fonseca. (Ela me lembra alguém!) A bem da verdade, a moça mal consegue falar. Guilherme engata uma canção atrás da outra e um assunto atrás do outro. Fala de bossa-nova, do parceiro Nélson Motta, dos filhos que moram com ele, da mãe que lhe deu o mote para uma das canções (“Filho, você vive sempre no mundo da lua”), dos tempos em que fazia sucesso, inclusive com as mulheres (“Eu era um gato!”), e que mora em Salvador, Bahia, desde 2000. Quando era repórter, entrevistei Guilherme Arantes diversas vezes. Sempre considerei que seu talento como compositor não tem o reconhecimento que merece, especialmente por parte da crítica. Acho inclusive que os grandes meios de comunicação não lhe dão o valor devido e pouco tocam as belas canções que fez. Enfim... De outro modo, posso inclusive afirmar que o amor que sente pela Bahia é antigo. Em tempos idos e vividos, fui entrevistá-lo no escritório paulistano da gravadora Som Livre. Cheguei no horário aprazado – e nada do moço aparecer. Hora e tanto depois, o próprio ligou para gravadora e disse que não viria ao encontro. Brigou com os pais (que não queriam que ele seguisse a carreira artística) e ‘fugiu’ para Salvador, onde estava naquele exato momento. Esqueceu da agenda que tinha a cumprir como promissor cantor/compositor. Se alguém duvida, pode perguntar para a atriz Rosi Campos. Ela era assessora de imprensa da Som Livre à aquela época. E ele já vivia no tal mundo da lua... (Curioso. Não consigo lembrar quem a Kátia Fonseca me lembra. Mas, também não consigo esquecer que ela me lembra alguém.)
Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h08
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O muro e a ponte

Foto: Jô Rabelo Claro que acreditávamos em dias melhores naquele 9 de novembro de 1989 quando começou a derrubada do Muro de Berlim. Sonhávamos com um mundo mais justo e solidário, como costumávamos dizer então. Ainda hoje me lembro da expressão do então repórter Pedro Bial, correspondente da Globo, a anunciar o histórico momento. A Paz. A almejada Paz era possível, tangível aos nossos sonhos. Ao alcance dos nossos passos. Nos dias seguintes, ele e o outro correspondente, Síllio Boccanera, deram prosseguimento às reportagens sobre a reunificação da Alemanha. Na História do Jornalismo Brasileiro, esta foi uma cobertura marcante. Sempre costumo citá-la em minhas aulas. Aproveito para explicar aos garotos que dois valorosos repórteres de TV estavam presentes na Alemanha, em 13 de agosto de 1961, quando se começou a levantar a tal muralha. José Carlos de Moraes, o Tico-Tico, e Carlos Spera eram os enviados da TV Tupi. Eles foram os precursores dos grandes repórteres de TV. Faziam tudo na base do improviso, com parcos recursos técnicos. Eram parceiros. Em cena, chegavam a dividir um único microfone. Não havia sequer vídeo-tape, tudo era gravado em película e enviado para o Brasil. Mesmo com atraso de dias e dias davam o seu recado. Aliás, acho oportuno ressaltar: a reportagem é, sempre foi e sempre será a essência do jornalismo. Essa profissão abençoada só existe se o jornalista for onde a notícia está. Só existe para denunciar os muros que nos separam – os visíveis e os invisíveis. Só existe para construir a ponte que nos une e/ou unirá. Só existe em nome de um mundo mais justo e solidário, como costumávamos dizer então. E ainda estamos longe de alcançar.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h11
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O mascote

Foto: Jô Rabelo Já não se fazem mais Palmeiras e Corinthians como antigamente. Não falo só em termos de postura técnica das duas equipes em campo. Ou mesmo dos esquadrões que os clubes brasileiros já não possuem. Falo mesmo das divertidas discussões que aconteciam desde a noite de domingo e se estendiam pelo resto da semana. Até o próximo Derby, como batizou a peleja o jornalista Thomaz Malzzoni, da então poderosa A Gazeta Esportiva. Passei a segunda tranqüilo, sem ter que responder nenhuma provocação de corintianos. Estou quase para dizer que meus chegados, que torcem para o time da Marginal S/N, estavam divididos em indecifrável dilema: vencer o Palmeiras e entregar a liderança do Brasileirão para o São Paulo ou perder para o arquirival e ainda ter que agüentar o mini-tabu de quatro anos sem vitórias sobre o tal. É um sentimento assim, eu diria, inconsciente. Mas, desconfio que real. Na dúvida, o empate ficou de bom tamanho para as partes. Vida que segue... No tempo do meu pai, as coisas seriam bem diferentes. A italianada reunia-se no Astória, célebre bar da rua Lavapés, e o bate-boca era bem animado. Exaltavam-se, mas sem perder a classe. Haja cerveja para refrescar a cuca da então rapaziada. Que, além do futebol, tinha outras paixões. Uma delas era apostar alto em corridas de cavalos. Era garoto e acompanhava o pai nessas noitadas – que não iam além das 10 da noite, como se dizia então. Gostava de estar no meio daquela algazarra, o pessoal me enchia de balas e guaraná caçulinha. Era o mascote da turma. Às vezes, as discussões me assustavam. Mas, o pai me tranqüilizava com um quase enigma que só fui entender bem mais tarde . -- É só barulho. Não dão em nada esses berros. Aqui, o pessoal só perde a compostura com cavalos lerdos e mulheres espertas.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h35
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