Esmeril

Foto: Jô Rabelo

 

Porque assim é o esmeril da vida...

 

... me ausento do blog por uns dias.

 

Não para descansar.

 

Cuido de projetos acadêmicos e outro pessoal.

 

Os tais precisam estar nos trinques antes que passemos a chamar o ano de “ano-velho” e nos tome de roldão aquela preguiceira própria à época.

 

Já já embicamos em novembro, repararam?

 

Enfim...

 

Volto dia 3.

 

Assim espero...

 

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 15h37
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Canetinhas e lambe-lambes

Foto: Jô Rabelo

 

Escrevi recentemente sobre as antigas redações.

 

Do toctoctoc da máquina de escrever.

 

Do entra e sai dos repórteres e fotógrafos – também conhecidos por ‘canetinhas’ e ‘lambe-lambes’.

 

Das conversas em voz alta, em tom de stress – aliás, e a palavra nem existia; dizia-se em tom “acalorado”, e bota “acalorado” nisso.

 

Do alívio das páginas descendo para a gráfica.

 

Do riso frouxo na alta madrugada quando se esperava os jornais do dia na boca da impressora – era um belo alvará de soltura para os chegados a uma trampolinagem, se é que me entendem.

 

Um parceirão daqueles idos tempo me encontrou – e, simpático ao texto, referendou o que escrevi mais para nostálgico.

 

 -- É isso mesmo, lamentou.

 

-- Não se fazem mais redações como as de então.

 

Ele ainda está na ativa, por isso não vou identificá-lo. Teme ser considerado um dinossauro pela rapaziada com quem trabalha e um obsoleto pelo dono do jornal.

 

-- Hoje é tudo muito técnico, tudo padronizado. Textos curtos, óbvios. Parecem feitos por robôs.

 

Não tive como lhes explicar que meu texto não tinha essa pegada de ‘melhor’ ou ‘pior’.

 

Ou teve?

 

Achei mais propício ser simpático e concordar com ele.

 

-- Você tem razão.

 

Há que se entender o Almeidinha.

 

(Ops! Acho que entreguei o meu camarada.)  

 

É um cara do bem. Sempre cuidadoso com a apuração da notícia; sempre elegante a combinar ternos escuros, camisa branca e gravatas fininhas pretas ou quase-pretas.

 

Ele anda na bronca com o pessoal da Redação, onde trabalha. Especialmente os mais jovens.

 

Até pouco tempo atrás, a meninada o chamava de Nôno por causa do traje formal.

 

Agora, falam que “o Vôzinho embalou o visu” dos caras do CQC.   

 

-- Assim não dá, diz ele tirando os óculos escuros.

 

Por isso, dou o devido desconto aos queixumes.

 

Reconheço que deve ter lá seus encantos essa coisa maluca de andar em cima da informação em tempo real. Na verdade, não se mede mais os prazos de ‘fechamentos’ por dias, horas – e, sim, por minutos, instantes...

 

Parece instigante.

 

Mesmo assim, preferi não perder o amigo. 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h01
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O artigo do filho do meu amigo

Foto: Caio Kenji

“A cultura deixa de ser um bom negócio,

como alguns pregavam,

para ser de fato assunto público,

ou seja, de política pública.”

 

 

Na seção Uns e Outros do meu site, transcrevo hoje artigo do antropólogo José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura.

Chama-se Cultura Vale-Cultura e foi publicado ontem pela Folha de S. Paulo.

 

 

http://www.rodolfomartino.com.br/artigo.php?id_artigo=1459 

 

Júnior é um amigo querido.

 

Há tempos não tinha notícia do garoto, hoje com 43 anos.

 

Fiquei feliz ao saber de sua trajetória profissional.

 

Tenho certeza que deixaria orgulhoso o grande Nasci, seu pai e meu mestre e inesquecível amigo naqueles que foram os anos mais antigos do passado.

 

Repito estou feliz, algo saudoso e, diria até, levemente emocionado.

 

Divido com vocês esse momento...



Escrito por Rodolfo C. Martino às 12h56
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You say goodbye

Foto: Jô Rabelo

-- Você andou sumido.

A resposta veio na forma singela dos velhos políticos mineiros para explicar o inexplicável.

 

-- Estou onde sempre estive.

 

A moça ficou desconcertada.

 

Talvez esperasse ouvir algo mais romântico.

 

Disse apenas:

 

-- É.

 

Ele percebeu a mancada – e tentou remendar:

 

-- Nada que um toque celular não me alcance.

 

Ela sorriu timidamente. Tinha um ar de decepção. Despediu-se com um meneio de cabeça, como se ajeitasse os cabelos lisos e negros. Saiu pisando macio e a se perder em meio ao tumulto da Praça de Alimentação na hora do almoço.

 

Ele a seguiu com os olhos, em silêncio. Como se nada houvesse acontecido.

 

Não estava triste, nem feliz.

 

Cena comum de shopping qualquer de uma cidade qualquer.

 

Foi um encontro casual. Nada de extraordinário, alguém dirá.

 

Tenho cá minhas dúvidas.

 

Como sabem, tenho uma tendência de imaginar coisas.

 

Buscar histórias.

 

Bem que poderia ser o grande encontro da vida dos dois.

 

Por que não?

 

Os dois se conheciam, certamente.

 

Não eram propriamente amigos, amigos.

 

É possível que, em uma dessas baladas da vida, pintou o tal clima, e eles acabaram ficando.

 

Sinceramente, mesmo a distância, me pareceu que ambos apreciaram o reencontro.

 

Mas, para decepção deste modesto escriba que imaginou lhes narrar uma historieta com final feliz, não souberam aproveitar o que o Sr. Acaso lhes proporcionou.

 

Coisas da vida.

 

Vou lhes dizer mais.

 

Exibiram um ar de que tinham algo mais importante para fazer da vida, quando se despediram.

 

Que pena!, lamentei por eles e por mim que perdi o mote da crônica.

 

Lembrei-me da velha canção dos Beatles:

 

“You say goodbye

  And I say hello”

 

E assim, entre um “olá” e um “adeus”, caminha a humanidade.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 19h26
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A bronca de Muricy

Foto: Camila Bevilacqua

 

 

Compreendo e justifico o desabafo de Muricy.

 

Primeiro, porque os deuses do futebol literalmente tomaram a bola do Verdão e, ao que consta, tão cedo não pensam em devolvê-la, haja visto o pênalti cobrado por Wagner Love.

 

A bola foi para as nuvens. Invadiu a morada dos ditos-cujos deuses.

 

Não sei se eles gostaram...

 

Ou seja, Muricy tinha bons – ou péssimos – motivos para estar no limite, como bem (ou mal) demonstrou na coletiva de ontem, após a derrota do ainda líder Palmeiras para o Flamengo, em pleno Palestra Itália.

 

E tem mais.

 

Assim como eu, o técnico acompanha os programas esportivos no rádio e na TV.

 

Assim como eu, ele ouviu o que eu ouvi e viu o que eu vi.

 

Só que eu posso mudar de emissora a hora que bem entender.

 

Como profissional da área interessado que é, Muricy tem de saber o que estão dizendo sobre o seu trabalho.

 

E o que diz a seleta crônica esportiva...

 

Que o Palmeiras está há 16 rodadas na liderança do Brasileirão, mas não é a notícia.

 

A notícia são os clubes que supostamente estão “atropelando”.

 

A saber:

 

O bicho-papão São Paulo.

 

O Inter, de melhor elenco do Brasil.

 

O Atlético, de Minas, que fez as melhores contratações.

 

O Grêmio, nas mãos do estrategista Paulo Autuori.

 

Falaram até do Corinthians para a conquista da almejada tríplice coroa.

 

O clube da vez é o Flamengo, já anunciado com loas e proas de campeão.

 

Claro que não é hora de radicalizar.

 

Há quem fale do Palmeiras.

 

Mas, o que falam esses senhores?

 

Que o Palmeiras é líder graças ao trabalho do Jorginho.

 

O time jogava com alegria.

 

Foi quando a equipe deslanchou.

 

Ah! há também os que enaltecem a competência do presidente Belluzo.

 

Os milagres de São Marcos.

 

As jogadas de Diego Souza.

 

Bem merecidos os elogios, mas o que dizem a respeito do trabalho do técnico tricampeão brasileiro?

 

“Previsível.”

 

Ou seja, parece que o Muricy foi entregar um telegrama no Parque Antártica e o contrataram para treinar a equipe.

 

Também não é assim, rapaziada.

 

Pau que bate em Chico bate em Francisco também.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 14h23
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Três histórias sobre o GP Brasil

Itália/arquivo pessoal

 

Três breves histórias sobre o GP Brasil de Fórmula 1.

 

A primeira, eu vi.

 

A segunda, eu vivi.

 

A terceira, gostaria de ter escrito.

 

I.

 

A que eu vi:

 

O repórter-fotográfico Anísio Assunção foi destacado para cobrir o primeiro dia de treinos em Interlagos. Ficou todo entusiasmado, pois faria sua estréia na categoria mais rápida do mundo. Todo orgulhoso exibia a credencial da FIA a todos nós, repórteres viralatas que continuaríamos, mesmo num fim de semana tão especial para a Cidade e para o mundo, com nosso ramerame diário de coberturas.

 

Buracos de rua, rondas policiais, o trânsito nas estradas que nos aguardassem.

 

O Anísio, não. O Anísio faria Fórmula 1.

 

Talvez seja bom lembrar que ainda, àquela época (não tão distante assim), não existia máquinas fotográficas digitais.

 

Fim da tarde.

 

De volta à redação, encontramos o amigo ‘lambelambe’ numa tristeza danada.

 

Estranhamos inclusive o silêncio da figura, falador por excelência.

 

Sobre a mesa do editor, a razão de tamanha dor.

 

Uma penca de fotos em que ora apareciam apenas o bico dianteiro dos bólidos ora se via apenas a traseiro dos danados. Duas ou três puderam ser aproveitadas.

 

Eram do movimento dos boxes.

 

Mesmo assim, Anísio estava pronto para um novo embate no dia seguinte:

 

“Os bichinhos são rápidos demais, sô” – disse com seu inconfundível sotaque mineiro. “Mas, amanhã, eles não me escapam.”

 

II.

 

A segunda, a que eu vivi.

 

Meus cinco ou seis fiéis leitores podem não acreditar.

 

Mas, eu estava lá, em Interlagos, quando aconteceu a primeira corrida de Fórmula 1 no Brasil.

 

Atentem para o ano: 1972.

 

Para que tenham ideia, a prova ainda não fazia parte do calendário oficial da categoria.

 

Foi uma espécie de teste.

 

Emerson Fittipaldi era o piloto brasileiro.

 

Não lembro se foi ele que ganhou. Desconfio que não.

 

(Procurem no Google!)

 

Mesmo assim, foi bem divertido.

 

Assim como o Anísio, não tinha noção de quem era quem.

 

Mas, achei os bichinhos rápidos demais, sô.

 

III.

 

Eu gostaria de ter participado da cobertura que o jornal Notícias Populares fez de um dos GPs do Brasil num desses anos que se perdeu no tempo.

 

Acreditem! O João Gordo era um dos repórteres.

 

Ele tinha uma característica comum a mim e ao Anísio: não entendia nada do assunto.

 

Esse era o diferencial.

 

Falou do que acontece no dia dos pilotos, da mulherada que fica solta por ali, do trampo duro dos mecânicos, dos bastidores da coisa toda.

 

Um dia antes da prova, o jornal trouxe estampado um mapa de como assistir ao Grande Prêmio de graça. Em cima da ponte, subindo um barranco, atravessando um buraco em uma das grades, entre outras possibilidades.

 

Foi um sucesso!

 

No dia da prova, esses locais estavam lotados.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 05h57
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem

Rodolfo Carlos Martino é mestre em Comunicação Social. Leciona na Universidade Metodista, onde responde pela coordenação do curso de jornalismo, desde 2005. Foi diretor de Redação de Gazeta do Ipiranga por 28 anos. Autor do livro "Às Margens Plácidas do Ipiranga".

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