EU PROMETO...

Na nova temporada do Blog, eu prometo seguir as recomendações dos meus fiéis cinco ou seis leitores (se é que ainda andam por aí) que me pedem basicamente para esquecer:

- as tragédias do noticiário do dia;

- as mazelas do Presidente Tabajara;

- os bastidores do mundo político;

- os humores dos indicadores econômicos;

- as denúncias da Lava Jato;

- os comentários do Planeta Bola;

- o fim do romance dos famosos;

- a demissão do Evaristo;

- os realitys da vida;

- as fake-news;

- as memes;

- os textos apócrifos das redes;

- as ladainhas de auto-ajuda;

- e outras cositas mais...

II.

“Conte-nos uma boa história” – recomenda o amigo Poeta. “Uma boa história que nos alivie a carga diária de notícias ruins, desoladoras”.

Pesada demais, diz ele.

- Tentarei, meu caro, tentarei...

(Respondo sem qualquer convicção.)

III.

Sou um humilde cronista de jornal sem jornal. Um velho repórter vira-lata habituado a bater pernas, por ruas e becos, atrás de conversa que, por isso e aquilo, se transformasse em texto e vida. Num tempo em que ‘os telefones eram pretos e as geladeiras brancas’ (Rubem Braga) e havia ‘galos, noites e quintais’ (Belchior).

 

Não falo isso por saudosismo, nostalgia ou sentimento que o valha. Falo simplesmente porque assim é que é. Sou feito de ‘sonhos e memórias’ (Erasmo Carlos) e quero muito, quero tudo por aqui, no Blog. Em essência, me darei por feliz se souber que, ao cabo dessas amarfanhadas linhas que batuco, não lhes negar qualquer esperança.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 14h19
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NOVO VELHO PROJETO. UM LIVRO...

Estiquei a ausência do Blog por mais alguns dias.

Andei atarantado com um novo velho projeto. A finalização do livro “O Natal, o Menino e o Sonho” que pensava lançar no final do ano passado; mas, por uma série de atribulações, só agora consegui concluir.

Neste meu quinto livro impresso, reúno crônicas e contos de Natal que escrevi ao longo de minha carreira nos jornais em que trabalhei e também aqui no blog.

Para completar a coletânea, também selecionei alguns textos que pretendem nos remeter – a mim e ao leitor – às reminiscências de infância, uma quase homenagem à memória do bairro operário do Cambuci, em São Paulo, onde nasci e me criei.

Em tempos de desesperança, como os que hoje vivemos, pareceu-me oportuno este humilde mergulho a um tempo, digamos, de maior encantamento e – diria – de maiores perspectivas de um futuro promissor.

Quem sabe se, ao resgatarmos a criança que um dia fomos, não saberemos superar, com alguma leveza, os sinuosos caminhos que ora percorremos.

Ainda não tenho a confirmação de quando será o lançamento oficial – em função do tema, é oportuno que se faça mais para o fim do ano. No entanto, se algum incauto leitor se interessar em adquiri-lo, entre em contato, aqui mesmo, no Blog.

 

Será uma honra...



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h31
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CICRATIZES PAULISTANAS

Jornalismo é reportagem.

Apurar, apurar, apurar. Regra básica para todo e qualquer repórter que se pretende honesto com a profissão e com o público leitor – seu único e verdadeiro patrão.

Sei que a moda agora é dar o seu pitaco, fazer a sua leitura, dizer o que acha, pensa e acredita.

A moda nas redações (se é que estas ainda existem?) é ser colunista – e, como tal, mandar ver, dar o recado e preferencialmente ser engraçadinho.

Vou aqui criticando quem se imagina um sabe-tudo da vida e, de algum modo, meus cinco ou seis leitores, que de bobos não têm nada, hão de se estar perguntando:

“Mas, cara, olha aí a contradição. Diz uma coisa (jornalismo é reportagem, apuração) e faz outra – desanca a dizer o que é certo e o que é errado. Bebeu ou comeu com farinha?”

II.

Nem uma coisa, nem outra meus caros – e vou logo me explicando...

Fiz toda essa introdução para parabenizar os estudantes Clarissa Ferreira, Leonardo Vantini, Renato Cardeal e Thainá Xavier pelo livrorreportagem “Cicatrizes Paulistanas” que os jovens  apresentaram, nesta semana, como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo e foram aprovados, com merecido 10.

Fiz parte da banca avaliadora – e aplaudi o tema e o trabalho de pesquisa realizado sobre quatro marcos importantes (e esquecidos) da cidade: o Beco dos Aflitos (na Liberdade), o Castelinho da Rua Apa (em Campos Elíseos), o desaparecido Cine Oberdan (no Brás) e o Edifício Martinelli, de tantas histórias.

Os (agora) jornalistas foram à luta. Fizeram dezenas de visitas aos locais, entrevistaram outro tanto de pessoas afins, falaram com fontes especializadas, escarafuncharam arquivos e velhos documentos e resgataram momentos dramáticos (todos esses lugares foram palcos de tragédias) dos primórdios de uma São Paulo que imaginamos não mais existir.

O trabalho teve a orientação da professora Margarete Pedro – e eu apostaria em uma futura edição em livro. Talvez não seja um best-seller; mas, pelo indiscutível caráter documental, se faz fundamental para quem deseja conhecer a verdadeira alma desta cidade tão malfalada, que tanto amamos e que parece não ter passado, nem futuro. 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 16h34
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O AMIGO DO POVO

Raramente nos damos conta quando a História (assim mesmo com agá maiúsculo) se revela aos nossos olhos.

Distraído e aparvalhado do jeito que sou, imagino agora, ao receber a notícia da morte do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, quantas vezes, por força da minha profissão, não estive ali, feito um Forest Gump, a tropeçar em fatos e pessoas que lapidaram, para a posteridade, os contornos das nossas vidas. Nós, os nascidos em Terra Brasilis.

II.

Entrevistei Raulzito, Elis, Ulysses, Montoro, Plínio Marcos, Covas, entre outros tantos e tamanhos.

Conversei com Telê Santana, junto ao alambrado do campo de futebol do Clube Atlético Ypiranga em uma festa de fim de ano da Aceesp – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo.

Cobri as manifestações em São Paulo pelas Diretas-Já.

Também estava no cortejo fúnebre de Tancredo Neves em meio a uma multidão de pessoas que seguia freneticamente o caminhão dos bombeiros pelas ruas e avenidas de São Paulo.

Fiz a manchete da edição que tratou da morte do ídolo de todos, Ayrton Senna:

“Nós que lhe amávamos tanto”.

III.

Por que lhes conto essas coisas?

Explico.

(Ou tento explicar)

Para um repórter vira-lata como fui (e imagino que, em essência, sempre continuarei sendo), até que não foi de todo mal essa minha modesta trajetória.  Para lhes dizer a verdade é que, em meio à correria dos fechamentos dos jornais, nunca me dei conta da grandeza do momento que vivia como testemunha ocular da história.

Uma única vez, creio, me dei conta dessa dimensão.

Foi no dia em que ouvi de Dom Paulo Evaristo Arns a descrição de como se deu a preparação do ato ecumênico em que se reverenciou a memória do jornalista Vladimir Herzog (que ocorreu em outubro de 1975, na Catedral da Sé).

Estávamos há alguns bons anos daquele triste fato e, mesmo assim, em meio à palestra que proferia, Dom Paulo foi instado a falar da sua corajosa participação naquela cena que decretou o começo do fim da ditadura que se arrastava por onze anos.

IV.

Mesmo naquela distante manhã, sem alterar a fala mansa e prudente, Dom Paulo era todo indignação contra os que oprimem e violentam a existência das nossas gentes, da nossa Nação.

Suas palavras emanavam amor e ternura. Amor a Deus – e, por meio deste sentimento, estendia amor e ternura a um Brasil verdadeiramente de todos os brasileiros.

V.

Em determinado momento da cerimônia, o repórter-fotográfico Robson Fernandjes chamou minha atenção para uma réstia de luz azulada que trespassava os vitrais da igreja do antigo Seminário do Ipiranga e banhava a doce figura do arcebispo.

“O homem é um santo”, disse o Robson antes de tentar registrar a imagem para a posteridade.

Como não tenho lá esse dom de enxergar além do que vejo, olhei para Dom Paulo e vi ali um homem justo, compromissado com o povo mais humilde e que mudou a História deste País.

 

Vi ali o Amigo do Povo.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h16
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TERNO ROXO

Sol a pino.Primeira saída de um delegado novato. Direto para Heliópolis.

- Doutor, não faz isso, não.

- Isso o quê?

- Deixa que a gente vai. Volta lá para o DP, a gente segura.

- Estudei pra caramba pra chegar aqui e ficar atrás de uma mesa...

(Silêncio)

- Vou nessa com vocês.

- Tá certo, então, chefia.

O Doutor Fernando sempre foi um homem vaidoso, e vaidade nos anos 80 significava roupas coloridas e looks espalhafatosos. Por isso, em sua primeira saída, entrou na comunidade com um terno roxo que, com a ajuda do sol, ficou quase lilás brilhante.

Hoje, ele próprio sabe bem a besteira que fez:

- Meu terno parecia o do Coringa do Batman. Não lembro de ter usado roxo depois daquele dia, nem em roupas de festa.

Quando chegou ao local da ação, percebeu que todos à sua volta estavam usando roupas discretas. E justo ele, o delegado, no meio de uma favela, mais parecia um alvo.

Não teve dúvidas. Entrou na viatura e resignou-se em passar calor lá mesmo.

- Se fosse um daqueles jogos de tiro ao pato, certamente seria o primeiro pato a ser derrubado.

 

*Trecho do livrorreportagem “Um Plantão, o Doutor, as Papis, os Peritos e Outros Tiras”, de autoria de Lucas Biffi e Vinícius Barreiras que foi apresentado ontem à banca de avaliadores como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.  Parabéns aos autores pelo trabalho realizado, e pela aprovação alcançada. Sucesso na profissão.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 01h26
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A VOZ DOS SARAUS

“Percebo que esse movimento de saraus tem sido importante para se criar uma crítica também daquilo que se pensa. Da gente dar nossas opiniões e, sobretudo, das leituras que se faz. Acho que os saraus têm tentado desenvolver o prazer da leitura”.

Felipe Choco, poeta e educador.

II.

Como um espaço de resistência/ é um sarau que alimenta/Então a gente sai daqui/ digamos/ com mais esperança/ Então tem vezes que tô na bad/ eu vi que o mundo não presta/ que a humanidade é uma bosta/ que enfim.../Tem golpe rolando na sociedade/ Aí, eu venho aqui/ e me sinto mais viva/ para diariamente/ cotidianamente/ a gente/ lutar por uma sociedade diferente. ”

Luz Ribeiro

III.

“Gozar na vida/me torna uma preta/muito perigosa/O que eu escuto sobre ser mulher/eu me recuso acreditar/Nasci mulher/me sinto mulher/e não importa/qualquer essência/qualquer temência que me defina/ (...) Não entendi/não é aqui que todos temos liberdade de expressão?/Se a luta é por igualdade... Porque tanta segregação?”

Mel Duarte, poeta e escritora

IV.

“O jovem quer chegar na rua, ele quer ter um espaço que ele se sinta à vontade, onde ele escute a música que ele gosta, seja rap, seja funk, qualquer tipo de som que esteja na periferia. Ele também quer ver um gride de pessoas que são iguais a ele e chegar aqui e ter, ouvir a poesia de uma pessoa, um cara cantando rap, outro dançando...”

Silmara Mateus, atriz e dançarina

V.

“De norte a sul/ de leste a oeste/ os pobres/as mulheres/os cabra da peste gritarão/com muito gosto/ e com muito orgulho/que agora é nóis/e depois de nóis é nóis de novo/Porque o poder/neguinho/o poder é do povo”.

Everton Siva (B-Boy)

 

 

*Falas da websérie A Voz dos Saraus, trabalho de conclusão do curso de Jornalismo apresentado ontem à banca de avaliação na Universidade Metodista de São Paulo e aprovado com no 10. Parabéns às autoras: Ana Luiza Neves, Cinthia Ferri e Vanessa Martins.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h39
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O PAPA, A FAMÍLIA E O PERDÃO

Em um dos tantos grupos do Whats, chega a mim a homília do Papa Francisco sobre a família e o perdão. Foi lida em setembro –e me passou inteiramente despercebida.

Este 1916 não está nada fácil de carregar. Entre tantas e tamanhas encrencas diárias que enfrentamos, seja nos noticiários jornalísticos, seja em nossos trôpegos compromissos, viemos nos arrastamos até chegar dezembro que, como dizia o amigo Nasci, “não é propriamente um mês, mas, sim, uma grande celebração”.

Nesses dias conturbados, o ‘climão’ das festas anda, eu diria, nebuloso, mais para cinza chumbo grosso do que para azul da cor do mar.

Enfim...

Vamos tocando que a vida é feita de desafios, esperança e fé.

Transcrevo a seguir as palavras do Papa Francisco. Que sirvam de luz e inspiração para todos nós.

(...)

“Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.

Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.”

Assim falou o Papa Francisco.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h51
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RAPAZIADA DE OURO

Há alegrias na vida que só o futebol nos proporciona.

Concordam?

Não importa muito que seja um torneio de várzea ou um título internacional.

Tenho uma extraordinária saudade dos tempos que jogava futebol. Nunca passei de um esforçado quarto-zagueiro; no entanto, fico a imaginar a dimensão da emoção que a rapaziada de ouro viveu ontem em pleno Maracanã.

II.

Penso que o Brasil se torna uma nação bonita, promissora, quando todos se juntam em torno de um ideal comum. Ontem, na disputa da medalha olímpica, foi lindamente assim, apesar do sábado cinzento.

Vencemos a Alemanha – e todos ficaram felizes, e se sentiram um só povo.

III.

Pena que só o futebol consiga essa proeza.

E isso quando as coisas dão absolutamente certo, como ontem, apesar do que o sofrimento durante as disputas de pênaltis ameaçasse colocar tudo em risco, ladeira abaixo.

Somos latinos, sentimentais por natureza. Passionais na derrota; exagerados nas conquistas.

IV.

Foi um espetáculo inesquecível – é mais ou menos nesse tom que recebo comentários de amigos que lá estiveram. Todos dizem que Neymar, ele mesmo, jogou muito.

Vi pela TV.

Jogou e joga.

Importa menos o que o rapaz diz e faz fora do campo.

Importa menos ainda o quanto ele ganha, o que ele tem ou deixa de ter.

Acredito que, por vezes, patrulhamos além do que deveríamos a vida de quem mal conhecemos.

Se o rapaz não quis dar entrevista para a Globo – e daí? O que ele diria de tão revelador àquela altura dos Jogos?

V.

Voltemos ao gramado.

De lá do Maracanã, um amigo me zapeia: morre de medo que a catástrofe dos 7x1 se repita assim que os alemães fazem o gol de empate depois de tabelarem como se estivessem em Belo Horizonte, em plena Copa.

Respondo que o gol de falta de Neymar lembrou os melhores momentos de Zico – que confiasse e, no final, tudo daria certo.

VI.

Não tinha certeza nenhuma do que teclei. Só queria ver o andamento do jogo; mas torci pra caramba para que o futebol nos proporcionasse a alegria que só este bendito esporte consegue nos oferecer.

 

Sejamos sincero: não muda nada em nossa vida, mas faz um bem danado. De ilusão também se vive...



Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h07
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O BOBALHÃO

Temo que o Escova, aquele nosso velho conhecido, seja a única pessoa no mundo a defender, em algum momento,  o  nadador americano bobalhão e inconsequente.

Diferentemente do gringo, Escova não barbarizava banheiro de postos de gasolina. Mas, não que eu queira entregar o amigo, mas o Escova também era o rei das desculpas esfarrapadas toda vez que precisava justificar eventuais atrasos ao chegar em casa para a pacienciosa  Sra. Escova.

Dizem que o rapaz fez o que fez – inventou a história do assalto no Rio e cousa e lousa – porque não quis comprometer seu romance com uma jovem e bela ‘coelhinha da Playboy’.

Só que o bad boy de araque, além de estar em bando, é uma tremendo trapalhão, tosco, que vive em outra era – a das redes sociais e de privacidade zero.

Quando o Dom Juan das Quebradas do Sacomã estava na ativa, a vida era outra. Não havia câmeras vigiando todos os nossos passos, nem celulares que filmam, fotografam e, se bobear, até identificam a localização do incauto em caso de minutos de atraso.

Lamento que o Escova, sempre ele, esteja dando um perdido no mundo ao que consta com a família oficial.  (Sabem como é? O lobo perde pelo, mas não perde o vício). Queria comentar com ele essa pantomima que acabou envolvendo meio mundo e acabou tendo repercussão internacional.

Só registro o caso aqui porque, dia desses, encontrei o amigo Chalita ao ver a foto da moça na internet soltou essa, com seu indefectível sotaque libanês:

 

“Foi por uma ‘calça’ justa. Gostaria de saber a opinião do Escova sobre tudo isso...” 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h09
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CHICLEZINHO ANTIGO

Tudo o que é bonito

Foi dito

Tudo o que é bonito

Eu já sei

 Acordo a cantar uma velha canção do tempo da Jovem Guarda. Meados dos anos 60, digo para localizar os mais jovens e os desmemoriados.

Confesso que eu próprio – um aminésico, por natureza - me surpreendo e empaco no dito-cujo refrão.

Tudo o que é bonito

Foi dito

Tudo o que é bonito

Eu já sei

De onde desenterrei essa?

Fui conferir no Google – e nada.

Estaria no repertório do Roberto, do Erasmo, do Renato e Seus Blue Caps, do Wanderley Cardoso, do Marcos Roberto, do Dóri Edson, dos Vips...

Repito o verso – e paro por aí. Não lembro sequer o nome da roquezinho chinfrim, nem do cantor, menos ainda do autor. Recordo apenas da imagem na TV em preto e branco na sala de casa. O intérprete vestia um terninho sem gola, era um garoto cabeludo – todos éramos assim, à época. 

Espantoso, não acham?

Tudo o que é bonito

Foi dito

Tudo o que é bonito

Eu já sei

Eita chiclezinho antigo para colar no baú da minha memória lá se vão 50 anos – e por que razão agora retorna?

Qual o significado?

O que eu e o verso estamos querendo dizer a mim mesmo?

Desconfio que vou levar outros tantos para descobrir.

É certo que as coisas todas não andam lá às mil maravilhas.

É certo também que eu era mais otimista, mais sonhador, mais isso, mais aquilo e aquel’outro.

Vou retomá-lo só mais uma vez...

Tudo o que é bonito

Foi dito

Tudo o que é bonito

Eu já sei

 ... e deixá-lo, aqui, registrado nessa desconexa crônica. Quem sabe algum dos meus amáveis e fiéis cinco ou seis leitores descubra o restante da canção e, assim me ajude a desvendar o mistério desses dias iguais?



Escrito por Rodolfo C. Martino às 19h30
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IMPRESSÕES OLÍMPICAS

Não sou um ser olímpico, já disse aqui.

Não me gabo, mas também não lamento por isso.

É um defeito, eu sei. Mas, não há como mudar nessa altura do campeonato.

Sou, diria, uma espécie em extinção: futeboleiro e varzeano. Portanto, não me peçam para ‘fechar’ minha agenda para acompanhar as destrezas dos supercampeões desta ou daquela modalidade. Nem diante da TV, menos ainda indo aos estádios, quadras e piscinas.

Digo isso para esclarecer que pouca coisa vi nessas duas semanas de Jogos no Rio de Janeiro. Acompanho o noticiário diário – até porque com a internet, como ficar alheio? – e, vez ou outra, dou uma espiadela no quadro de medalhas.

Se bem entendo, está dando a lógica. Os atletas dos Estados Unidos são os bambambãs – e lideram com folga. O Brasil oscila entre os 20 primeiros – o que, ao que me consta, não é novidade.

Aliás que cara chato sou eu que não acha nada engraçado: Olimpíadas, disputas, supercampeões, quadro de medalhas? Não que eu ache tudo isso um saco – como diria Raulzito. No entanto, deixa eu explicar a razão deste texto repleto de obviedades.

Não sei se pelo avançado da idade ou se pelo fato de eu me meter a dar pitacos em tudo o que aparece, alguns simpáticos e raros leitores me cobram três questões que permeiam, diria, o âmbito olímpico.

Questões para as quais, juro, não tenho, convicta resposta. Mas, me arrisco...

Exemplo 1: não sei avaliar se o evento na Cidade Maravilhosa, apesar dos percalços que ora ou outra aparecem na mídia, é um rotundo fracasso ou um notável sucesso? Nunca estive em uma cidade olímpica no momento dos jogos, mas pelo relato que ouvi de alguns chegados meus (que já viveram a experiência) a coisa toda segue até o momento segue na mais objetiva normalidade. A turistada, no geral, não sairá dizendo “óóó que brilho!!!”, mas também não fará muxoxos de reprovação.

Exemplo 2: Sobre a participação do Brasil. Por que os brazucas ‘favoritaços’ tremem na hora da decisão – e os azarões (não todos, claro) se dão bem? O futebol masculino, que começou rateando, chegou à final – e parece que tem sido a exceção. Falam em pressão psicológica ou no revivido ‘complexo de vira-lata’ que bem lá trás o grande Nelson Rodrigues consagrou. Há outras teses e perorações, mais aprofundadas. Em rápidas pinceladas, acho que somos isso mesmo. Aponto como causa nossa eterna falta de estrutura e incentivo para a popularização dos esportes ditos amadores.

 

Exemplo 3: Sobre a cobertura jornalística do evento. ATV e os portais predominaram. Houve grandes avanços tecnológicos graças aos mil e um recursos dos modernos equipamentos. Na parte de jornalismo propriamente dito, os portais levaram grande vantagem com ênfase nas reportagens e mesmo na agilidade da cobertura dos fatos e feitos. ATV primou por equipes de comentaristas, compostas por ex-atletas, que, via de regra, se mostram ou torcedores entusiasmados (nas vitórias) ou ‘corneteiros ranzinzas’ (em caso de derrota). Muito palpite, pouca informação (como eu, neste texto). Aliás, a queda de braço entre jornalismo esportivo e entretenimento na TV extrapola ao âmbito das Olimpíadas. Há quem goste, há quem considere uma praga.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h22
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GRANDE ABRAÇO, DURVAL!

Meus Caros Amigos – este deveria ser o nome do Blog.

Entendo perfeitamente o comentário que o Escova fez a algum tempo, pois é a emoção de lembrar algumas histórias e alguns companheiros de idas jornadas que move o meu diário enfileirar de letrinhas.

Por inspiração de outro amigo, o Nascimento Júnior, inspirei-me no título de filme do italiano Pietro Germi com direção de Mario Monicelli para nomear meu segundo livro “Meus Caros Amigos – Crônicas sobre jornalistas, boêmios e paixões”, lançado em 2010.

Ali reuni algumas crônicas sobre o cotidiano da turma que se reunia, dia sim e outro também, naquele Sujinho (que não mais existe) na esquina da rua Bom pastor com a rua Greenfeld, onde o Sacomã torce o rabo e o ônibus Fábrica/Pinheiros bufava e rangia ao fazer a curva e seguir seu rumo.

Resumo aqueles dias, com os versos de Ataulfo Alves:

“Eu era feliz, e não sabia”.

Éramos felizes...

Não que hoje não sejamos. Mas, aqueles dias, digamos, eram mais plenos, mais intensos.

II.

Faço esse prólogo para saudar a visita do amigo Durval Freire em nosso modesto Blog eu não o vejo há anos e sequer tinha notícia do bendito. Dia desses, ele comentou o texto “O Marqueteiro” que escrevi para a Revista Brasileira de Marketing Político e aqui disponibilizei em 26 de julho de 2010.

Olhem, caríssimos e raros cinco ou seis leitores:

O que é a natureza!

O que faz a internet!

Também o Durva se deliciou a ler sobre o marqueteiro em questão: o nosso parça José do Nascimento que tanto eu como o Durval e nosso bando de malucos-belezas conhecemos tão bem, e tanta falta nos faz ainda hoje.

E, como uma recordação sugere outra, a galeria de tipos diversos vai invadindo nossa mente: o AC, o Toró, o Made, o Júnior, o Manoelino, o Almeidinha, o Juquinha e outros tantos e tamanhos.

III.

O Durval, acredito eu, certamente se lembrou do tempo em que foi (e dos bons) administrador regional do Ipiranga (equivale a subprefeito hoje) da gestão Mario Covas (83/85) por indicação do nosso outro grande amigo, o então vereador Almir Guimarães.

No dia da posse do Durval, o Nasci preparou todo o cerimonial. Horas antes, comandou uma espécie de ensaio de como o Durva teria que falar o discurso de posse, com ritmo adequado e pausas dramáticas.

“Vocês sabem: fui produtor da TV Record nos áureos tempos. Já fui bom nisso...”

O Nasci era mesmo uma figuraça – e nós, seus discípulos. Se pouco ou quase nada aprendemos sobre a vida e os amores, foi por absoluta deficiência nossa, e não por falta de histórias do nosso mestre e guru.

 

Grande abraço, Durval. Feliz por ler você aqui!



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h48
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BRINCAR DE OUTRA COISA

Avisamos que nossa Elke já não está por aqui, conosco.

Como ela mesma dizia, foi brincar de outra coisa. Que todos os deuses, que ela tanto amava, estejam com ela nessa viagem.

'Eros anikate mahan'.

(O amor é invencível nas batalhas.)

Crianças: conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam.

 

Mensagem postada no facebook da atriz, cantora, apresentadora, jurada, a performática Elke Maravilha que faleceu hoje, aos 71 anos, no Rio de Janeiro.

Esse mundo está insano - e cada vez mais sem graça.

II.

Nos idos dos anos 80/90, o grande Itamar Assumpção reverenciou a ousadia da atriz em uma bela canção: “Elke Maravilha”.

Diz a letra:

“Elke mulher maravilha

Uma negra alemã um radar

Um mar uma pilha

Elke mulher maravilha

Uma branca maçã avatar

Um luar uma ilha

Elke mulher maravilha

Uma deusa pagã um sonar

Um altar uma trilha

Elke mulher maravilha

 

Uma prenda Ogã um pilar”



Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h09
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UM PARAÍSO, JERICOACOARA

Passei três dias em Jericoacoara, no Ceará, oco do mundo, longe pra dedéu. Um paraíso, no embalo da música jamaicana (embora o forró acelere as madrugadas) e com um indisfarçável sotaque portenho.

II.

Acredite se quiser?

Como tem gringo estabelecido por lá!

O que será que os hermanos descobriram por ali que nós, os nativos, não conseguimos ver?

Ou não temos coragem de enxergar?

III.

Como lhes descrever o arrebatamento do lugar? Só estando lá para constatar. Tentei disponibilizar uma foto do por do sol, mas não consegui. O site/blog está rateando. Desconfio que a modernidade não dá conta de tamanha maravilha.

Fique, pois, caríssimo leitor, com minhas sinceras impressões. Sou um viajante parvo, mas sei reconhecer um local abençoado por Deus e bonito por natureza.

IV.

Não sei por que cargas d’água, no ir e vir na praia do Paraíso, aboletado nas redes penduradas na superfície do mar e o sol na cabeça, confesso que, por instantes, me senti o próprio personagem de Jardel Filho na novela “O Bem Amado”, no início dos anos 70.

Ele fazia o médico Juarez Leão, se bem me recordo. Por força de algum desatino, ele largou a cidade grande e se instalou em uma palhoça à beira da praia de uma encantadora cidade do nordeste, a fictícia Sicupira, do inesquecível prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo).

Era uma figura descolada – longe do padrão de um doutor. Usava roupas de hipongas e calçava tamancos, no maior estilo.

 

V.

Topei com “alguns deles” por lá, creio.  Eram médicos, advogados, empresários, professores e até um ex-padre e agora se transformaram em surfistas, bugueiros, donos de pousadas ou restaurantes, balconistas, artesãos...

Mudaram de vida para viver a doce aventura de ser feliz, sob o sol diante do mar...

- Aqui se vive, foi o que me disse o fluminense Wanderley, natural de Petrópolis que há 30 anos vive por aquelas bandas.

 

Eu lhe dou toda a razão.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h54
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SANTA PAULINA EM 3D

Todos sabem que sou devoto de Santa Paulina, a freira italiana considerada a primeira santa brasileira.

Nenhuma novidade. Já escrevi aqui mesmo sobre este sentimento que começa lá trás, nos tempos da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor.

Modéstia à parte, o jornal que eu editava, a Gazeta do Ipiranga, foi o primeiro a dar a notícia sobre a beatificação da Santinha do Ipiranga, numa reportagem feita pelo saudoso amigo e repórter, Ismael Fernandes.

Madre Paulina assim que chegou ao Brasil, vinda de Trento, norte da Itália, passou a infância em Santa Catarina (Nova Trento) e jovem ainda veio para o histórico bairro em São Paulo, onde fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Posteriormente, as Irmãzinhas se espalharam pelo Brasil e por todo o mundo, num trabalho de catequização e assistência aos desvalidos e adoentados.

Ter acompanhado como jornalista o processo de canonização da Irmã Paulina é um dos grandes orgulhos profissionais que tenho.

II.

Sou devoto de dezenas de santos e gosto de ler sobre a vida e os feitos de cada um deles.

O livro mais antigo que possuo na minha estante chama-se Últimas Páginas, de Eça de Queiroz, escrito em 1911. Meu exemplar é de 1917. Uma relíquia que dedica toda a primeira parte ao texto de “Lendas dos Santos”, sobre a história de vida de alguns deles.

Gostaria de escrever mais sobre o tema.

Mas, não me sinto em condições.

Não estou preparado.

Quando tenho uma oportunidade como hoje, não perco a deixa.

III.

Explico.

Recebo o boletim do Santuário de Santa Paulina com a notícia de que, aqui pertinho, no bairro do Ipiranga foi inaugurado um busto em tamanho natural com as feições de Santa Paulina, reveladas pela ciência e em 3D.

Diz a notícia que o projeto reuniu esforços de muita gente. A saber: o hagiólogo e um dos coordenadores, José Luís Lira, o designer Cícero Moraes e a artista plástica Mari Bueno (responsável pela pintura do rosto da santa).

O busto de Santa Paulina pode ser visitado no Memorial São Paulo, onde se encontram os restos mortais, que se localiza na Avenida Nazaré 470.

Pretendo visitá-lo logo, logo.

 

Ando em débito com a Santinha do Ipiranga e de todos os brasileiros.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 16h16
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem

Rodolfo Carlos Martino é mestre em Comunicação Social. Leciona na Universidade Metodista, onde responde pela coordenação do curso de jornalismo, desde 2005. Foi diretor de Redação de Gazeta do Ipiranga por 28 anos. Autor do livro "Às Margens Plácidas do Ipiranga".

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