Pena Branca

 

Foto: Divulgação

 

Quando Milton Nascimento e Chico Buarque reuniram-se para compor a dolente “O Cio da Terra” corria o ano santo de 1976.

 

Há que se explicar “o santo”?

 

Sobrevivemos ao Brasil da repressão e da tortura, do arrocho econômico e social, da censura implacável.

 

A canção nasceu deste propósito: semear o novo tempo, onde nos fartássemos de pão, nos lambuzássemos de mel e, fundamentalmente, tivessem voz e vez os desejos da terra.

 

“Cio da Terra, a propícia estação.”

 

Milton e Chico fizeram um dueto inesquecível ao cantá-la. Mas, a versão definitiva só aconteceu em meados dos anos 80, justamente quando raiava o novo tempo da democracia.

 

Seus intérpretes: Pena Branca e Xavantinho.

 

A dupla atendeu ao convite de Milton para acompanhá-lo em uma apresentação.

 

Foi o que bastou para que a canção ocupasse espaço de destaque no repertório dos cantadores – e o Brasil urbano reverenciasse o talento dos irmãos Ramiro, amplamente conhecido pelos cafundós do País, onde atuavam desde 1962.

 

Em 1990, veio o reconhecimento da crítica especializada. A dupla recebeu o Prêmio Sharp em duas categorias: a melhor música (“Casa de Barro”) escrita por Xavantinho e o melhor disco (“Cantando do Mundo Afora”).

 

O irmão Xavantinho morreu em 1999.

 

Ontem, foi a vez de Pena Branca viajar fora do combinado e se transformar em desmedida saudade...

 

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 15h53
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ABC da Arte

 

Foto: Caio Kenji

 

 

 

“... toda arte é uma confissão de que a vida não basta.” - Fernando Pessoa.

                                                                

Ressalto a epígrafe - mas, honrosamente, registro e agradeço o recebimento do livro A Crítica de Arte no ABC, organizado pelo amigo Manuel Reis. Trata-se de uma coletânea de artigos sobre música, teatro, artes plásticas, cinema, dança e literatura, publicados no jornal Diário do Grande ABC entre 1960 e 1985. Entre os autores, nomes ilustres do jornalismo e das artes: Carlos Hee, Antonio Prada, Fernando Rodrigues, Heitor Capuzzo, José Armando Pereira da Silva, Dinho Marinho, Milton Andrade, Ulysses Cruz e a amiga e professora Sandra Reimão.

 

Aliás, aproveito para transcrever trecho da coluna que Sandra escreveu sobre o livro “Corpo”, do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 27 de janeiro de 1985:

 

“Fazer um comentário-apresentação do novo livro de Drummond é o mesmo que se querer sintetizar rapidamente a questão dos movimentos do universo, ou definir a condição da natureza humana ou explicar o porquê das guerras e das desigualdades entre os homens. Missão impossível. Especialmente por que Drummond não se comenta. Drummond não se apresenta. Com relação a Drummond a única atitude possível é a de total mergulho. Pelo prazer de mergulhar, sem ter metas e objetivos para onde nadar. Mergulho de alma lavada, a aprender e sorver.

 

Drummond, aos 82 anos, faz um revisitar-síntese de seus principais momentos-temas. Não é um revisitar nostálgico ou louvatório, mas sim algo com um brilho de olhar de menino sempre apto a perceber o novo.”

  



Escrito por Rodolfo C. Martino às 16h42
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Eu tive um sonho

 

Itália/arquivo pessoal

 

 

Havia voltado aos meus tempos do Grupo Escolar Oscar Thompson.

 

Sobre o tampo da rústica carteira, eu espalhava os cadernos para a aula do dia.

 

As brochuras eram novas – e traziam a figura do Papai Noel na capa.

 

Fiquei apreensivo.

 

Desconfiei que aqueles cadernos não eram meus.

 

Nunca fui desses fricotes.

 

A garotada poderia zombar de mim.

 

Quis guardá-los rapidamente, mas aproximou-se uma mulher – que não era a Dona Izabel, nem a Dona Laura – e pediu que eu mostrasse “as tarefas de casa”.

 

Aí que eu me embananei todo.

 

Lembrei que havia passado a tarde toda jogando futebol no campinho da rua Piaí.

 

Fui salvo pela ‘linguagem experimental’ do meu sonho. Que, num corte seco, me deixou na rua Bom Pastor. Já era um rapazinho cabeludo e, à frente do Fefe’s Dog, esperava os amigos para terminar a noite no aeroporto de Congonhas, onde íamos tomar um café e dar uns bordejos.

 

Enquanto esperávamos chegar o Pachini e o seu possante Simca Chambord, era costume desandar a falar mal da vida alheia. Nosso alvo preferido era certa moça, lindíssima, que acabara de se separar do marido.

 

Naquele tempo, as desquitadas caíam na boca do povo. Baita preconceito.

 

No fundo, no fundo, todos nós ali tínhamos lá nossas ideinhas para com a moça que, como já disse, era lindíssima.

 

Outro corte seco no entrecho do sonho.

 

E lá estava eu frente a frente com a deusa que me cobrava explicações sobre o que se disse e o que não se disse na roda “de marmanjos desalmados”.

 

Fiquei sem graça – ainda mais que o sonho era meu e eu não sabia o que lhe dizer.

 

Resolvi não esperar o Pachini e despertei ainda querendo me explicar.

 

Olhei pela janela e vi o sol nesta bela manhã de domingo.

 

Fiquei duplamente aliviado. Pelo fim do sonho e dos dias de chuva.

  



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h18
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Sem perdão

 

Nova York/arquivo pessoal 

 

 

Dê que o perdoasse.

 

Assim como Cadu bem que tentou perdoá-la pelo fim inesperado que deu ao caso, ao romance, à pegação – tenha lá o nome que queiram dar à história dos dois.

 

Do fundo do coração, era o que hoje ele mais queria.

 

Que ela o perdoasse.

 

Sem magoas ou rancores.

 

II.

 

Lembrou-se de como eram encantados aqueles tempos assim que o rádio do carro lhe trouxe a canção do Djavan:

 

“Venha me beijar de uma vez

  Você pensa demais

  Pra decidir...”  - (Flor do Medo)

 

III.

 

Cadu, o pacato, não ficou triste, nem feliz quando a saudade, a sombra de uma leve saudade, tentou aborrecê-lo.

 

Tirou de letra.

 

Sussurrou para si mesmo.

 

-- Foram tempos encantados.

 

Ótimo que pode vivê-los.

 

Vida que segue...

 

IV.

 

Dê que o perdoasse.

 

Por que, para ser franco, não lamentou a falta dela.

 

Do sorriso lindo, espontâneo.

 

Do jeito de moleca que o cativava.

 

Das horas que ela o fazia esperar para depois cobri-lo de beijos e carinhos.

 

De como sabia enfeitiçá-lo.

 

Da forma incrível como se amavam.

 

Nem eles próprios acreditavam o quanto era bom.

 

V.

 

Dê que o perdoasse.

 

Por que viveram tão intensamente aquele presente.

Que nem planos fizeram.

 

E agora Cadu constatava: nada mais existia.

 

Achou cruel o vazio.

 

Mas, o quê fazer?

 

VI.

 

Dê que o perdoasse.

 

Por que, ao lembrar-se de tudo, só sentiu falta dele mesmo.

 

Do tresloucado empenho que fazia para tê-la por perto.

 

Da maneira única (e mágica) que passou a encarar a vida.

 

(Parecia que tudo o que fazia dava certa porque ela o inspirava.)

 

Da certeza que aquele era um sentimento raro.

 

Seria amor?

 

VII.

 

Dê que o perdoasse.

 

Por que, sei bem como são os homens, e pelo jeitão triste como Cadu me contou essa história, ele nunca a perdoou.

 

Nem perdoará.

 

Era amor, sim.

 

 

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 17h43
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Logo aí...

 

Foto: Jô Rabelo

 

Escrever é uma bênção.

 

Compor é uma bênção.

 

Cantar é uma bênção.

 

 

Pintar...

 

Bordar...

 

Fotografar...

 

Desenhar...

 

Esculpir...

 

 

Minha sobrinha, Luciana, diz que interpretar é uma bênção.

 

Recentemente ela participou como atriz e produtora de um filme chamado Sem Fio.

 

Eu, como tio desnaturado que sou, ainda não assisti.

 

Mas, era se mostra tão feliz ao comentar seu trabalho.

 

 

Correr...

 

Saltar...

 

Dançar...

 

Sapatear é uma bênção.

 

 

Lá pelos anos 50 e 60, havia um grupo musical chamado Trigêmeos Vocalistas.

 

Eram irmãos, mas não trigêmeos.

 

Até que se pareciam um pouquinho.

 

Eles cantavam, dançavam e sapateavam.

 

 

Tinham até uma canção brejeira que alegrava a eles e a quem os ouvia.

 

Dizia assim:

 

“Toc, toc, toc, toc pra cá.

  Toc, toc, toc, toc pra lá.

  É neste toc, toc, toc gostoso

  Que eu hei de me acabar.

 

   Eu vou sapatear.”

 

 

Assoviar é legal.

 

Também é uma bênção.

 

Nos primórdios da TV brasileira, havia um virtuose do assovio.

 

Seu nome era Willian Fourneaut.

 

Fazia um baita sucesso.

 

 

Meu saudoso tio Neno dizia que o assovio é a voz da alma.

 

Faz sentido.

 

Reparem o quão distante deste mundo ficamos quando assoviamos uma canção – e, muitas vezes, nem sabemos bem o porquê.

 

 

Praticar um esporte, seja qual for ele, é uma bênção

 

Jogar futebol era minha vida.

 

Quem viu ontem o gol do garoto Neymar jura que foi uma bênção.

 

(E olhem que nem sou santista!)

 

 

Tocar um instrumento é uma bênção ou é um dom?

 

As duas coisas, imagino.

 

 

Ser amado é uma bênção.

 

Amar é um dom.

 

 

Viver é uma bênção.

 

Ser feliz, um dom.

 

 

Voltar de férias não é bênção, nem dom.

 

Mas, é bom também.

 

Ainda mais que o carnaval está logo aí...

 

 

 

 

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 14h32
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Há de melhorar...

 

Nova York/arquivo pessoal

 

ESCREVER NÃO MUDA O MUNDO.

ESCREVER SÓ MUDA AS PESSOAS.

AS PESSOAS MUDAM O MUNDO...

 

Trago-lhes um poema antigo do poeta e jornalista Mário Quitana para retomar o blog após as férias e alguns dias de preguiça.

 

Trago-lhes um poema antigo para lhes dizer que ainda há esperança.

 

Pois, voltar a blogar não é só blogar.

 

Especialmente para um blogista tão desorientado como eu.

 

As tragédias que estão no noticiário já estão no noticiário, com todas as letras e imagens.

 

Com todo o horror...

 

Não tenho nada a dizer que já não tenha sido dito.

 

Lá nos antigamente, no tempo da velha Redação assoalhada, ouvia que todo o início de ano era igual, mas diferente.

 

Ou seja, num ano semelhante a este, tínhamos uma vaga noção do que enfrentaríamos – carnaval, Copa do Mundo, eleições e uma ou outra catástrofe.

 

No entanto, sempre acabávamos nos surpreendendo.

 

Na São Paulo de todos os tempos, as enchentes sempre constaram do cardápio.

 

Eis que este 2010 começou bravo.

 

Nevascas, terremotos, temporais...

 

Implacável.

 

Mas, há de melhorar...

 

Ou será mesmo “o fim do mundo” como se ouve na voz desesperada que ‘cobre’ as imagens do vídeo amador que documentou o momento do terremoto no Haiti.

 

E se assim for, escreveu o próprio Quitana no poema Fim do Mundo, todas as nossas bugigangas eletrônicas virarão sucata, todas as estrelas perderam os seus nomes. E nós descansaremos, finalmente, em paz.

 

 

** Em tempo:

 

O amigo Jorge Tarquini capitulou à blogosfera.

 

Chama-se O implicante e fala de nossas pequenas grandes aventuras diárias.

 

Vale à pena espiar!

 

http://jorge.tarquini.blog.uol.com.br/arch2010-01-17_2010-01-23.html

  



Escrito por Rodolfo C. Martino às 13h58
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Anima di pellegrino

Foto: arquivo pessoal/Lago de Como, Itália

 

Io non lo so...

 

Il blogista sembra che ha l’anima di pellegrino.

 

É partito subito, senza preavviso e giorno di retornare.

 

Dice que è andato via di vacanze.

 

Chi lo sa?

 

È un tanto pazzo quello.

 

Dopo...

 

Ha lasciato un buonanno per tutti

 

(e a vã promessa de novos relatos quando voltar).

 

Bacio nel cuore.

 

Ciao.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 19h52
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Tchinim e o Natal inesquecível

Foto: arquivo pessoal - Paris 

 

 

Ao menos, no meu tempo, era assim: momento único na vida de qualquer criança.

 

Descobrir que Papai Noel não existe significou o fim do encanto daquele Natal antes mesmo que eu pudesse degustá-lo em toda sua pompa e circunstância.

 

Esperava o ano todo por aquele momento mais do que especial.

 

Havia toda uma ansiedade, um mistério...

 

Acordávamos no dia 25 e lá estava o almejado sonho em forma de brinquedo a tornar-se realidade ao lado das nossas camas – a minha e as das minhas irmãs.

 

 

II.

Naquele ano, foi diferente.

 

A mais velha não segurou a língua e a peraltice.

 

--- Não acredita?

 

Eu resistia à sua má falação.

 

-- Então, vamos lá ao quarto da mamãe. O trenzinho que você pediu está dentro do guarda-roupa, coberto por uma pilha de lençóis.

 

Estava mesmo.

 

Foi a primeira vez que pensei em fazer voltar o tempo.

 

 

III.

Preferia não ter descoberto a verdade.

 

O pai, quando soube, ameaçou bater na tagarela.

 

A mãe, como de costume, invocou todos os santos e só faltou chorar.

 

Minutos depois, os atropelos para a ceia de Natal em casa – uma tradição da qual o pai tanto se orgulhava – fizeram com que todos se conformassem com a revelação.

 

-- Um dia, a gente ia ter que contar para ele, disse a mãe adepta dos “panos quentes”.

 

-- Ano que vem você vai para a escola. Já é um homenzinho. Não ficaria bem acreditar numa lenda, acrescentou o homem de poucas e sábias palavras.

 

 

IV.

Não concordei.

 

Mas, fiquei na minha.

 

Tinha meus motivos.

 

Uma coisa eram os presentes do pai.

 

Para ganhá-los, havia o aniversário e todos os outros dias do ano.

 

Outra coisa era fazer por merecer e ter o desejo atendido por um ser extraordinário, generoso, que vinha de tão longe.

 

 

V.

Era como se eu fizesse parte da história.

 

Não me constava que Papai Noel fosse santo.

 

Mas, eu o via como uma divindade.

 

Uma espécie de mensageiro traquina a cortar os céus.

 

Com o regalo, imaginava vir também as bênçãos do Deus que se fez Menino para nos salvar.

 

 

VI.

Vocês sabem.

 

Tenho uma tendência a ficar imaginando coisas.

 

Desde pequenino – quando ainda me chamavam de Tchinim – sou assim.

 

Mas, tantos e tantos anos depois, não há o que reclamar.

 

 

VII.

Dizem que trago no olhar o desalento dos que não mais se encantam.

 

Pode ser resquício daquele Natal que se perdeu no tempo.

 

Ou de tristes verdades que se revelaram ao longo do longo e sinuoso caminho.

 

Pode ser um jeito meu de tocar a vida e seguir adiante.

 

Pode ser...

 

Mas, aviso aos navegantes.

 

Não abro mão do meu naco de sonhos e esperança...

 

IX.

Que o Menino Deus nos guarde e ilumine em 2010.

 

Ele é o caminho, a verdade, a vida...

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h03
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35 anos depois...

Arquivo pessoal - Paris

 

 

 

O jogo de ida terminou 1x1.

 

Já a volta, naquela tarde de 22 de dezembro, um domingo, reservou um duelo nas arquibancadas que colocou mais de 100 mil corintianos entre os 120 mil pagantes. Corintianos que se calaram com o gol de Ronaldo, aos 24 minutos do segundo tempo, assim eternizado na voz do locutor Fiori Giglioti:

 

“... abriu na ponta-direita para Jair (Gonçalves), descendo pela ponta, atenção, vai levantar, balão subindo, descendo, entrou Leivinha, bola para Ronaldo, tocou...

 

... Goooooooooooooooooool.”

 

 

E aí veio o famoso grito da torcida, em referência à fila do rival que já durava desde 1954:

 

“Zum, zum, zum... é vinte e um!!!”

 

Dudu só ouviu metade da festa, digamos assim.

 

Minutos depois, o camisa 5 do Palmeiras teve a orelha esquerda carimbada por Rivelino com um petardo na cobrança de uma falta.

 

Desabou.

 

“Assim que retornou, depois de quatro minutos, nova falta para o Corinthians. No mesmo lugar. Lá foi o canhão de o Parque São Jorge tentar o empate. Lá foi Dudu para a barreira. Mas, o árbitro usou a cabeça que Dudu parecia não ter”, escreve o jornalista Mauro Beting no livro Os Dez Mais do Palmeiras, lembrando que Dulcídio Wanderley Boschilla mandara o volante sair da frente da nova cobrança. “Mas, o alviverde inteiro soube que, a partir daquele lance, o Palmeiras ficou ainda maior do que já era. Faltava mais time aos corintianos. Faltava o que sobrava no Palmeiras.”

 

Perguntado sobre a melhor fase do fiel escudeiro com a camisa 5 da Sociedade Esportiva Palmeiras, Ademir da Guia nos remete a mais de três décadas sem titubear.

 

“Sem dúvida, a final de 74. Foi um jogo em que todos jogaram bem. Mas, ali, aquele campeonato, foi mais Dudu.”

 

* Trecho do livro-reportagem “Caregadores de Piano – A História de Doze Operários do Futebol Brasileiro”, apresentado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo e aprovado com nota máxima, 10. Autores: Bruno de Oliveira, Lucas Borges, Lucas Tieppo, Leonardo Faria, Paulo Silva Jr e Verena Souza. Parabéns aos novos jornalistas!   



Escrito por Rodolfo C. Martino às 15h27
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Poucas e boas

 

Arquivo pessoal - Paris

 

“Qui regno io.

  Li, dopo la montagna,

  chi regna sei mio padre.”

 

Há tempos queria usar o provérbio calabrês para iniciar um texto.

 

 “Aqui reino eu.

  Ali, depois da montanha,

  Quem manda é o meu pai.”

 

Aproveito o embalo das retrospectivas de fim de ano para fazer uma listagem dos assuntos que pautei para o blog. Mas, sei lá por quais razões e motivos, acabei por não dar uma nota sequer sobre os tais.

 

A relação vale para me livrar, sem remorsos, desses incômodos recortes jornais e fica como referência das escolhas absolutamente pessoais do titular e do reserva deste espaço – que, como sabem, sou eu e eu mesmo.

 

O blog não falou...

 

... da minissaia da menina

 

... do apagão

 

... do Flamengo, campeão

 

... do destempero de Caetano ao falar sobre o presidente Lula

 

... da visita de Ahmadinejad ao Brasil

 

... do mensalão de DEM

 

... do sorteio dos jogos para a Copa de 2010

 

... da fusão das Casas Bahia ao grupo Pão de Açúcar

 

... da agressão a Berlusconi

 

... das enchentes de Sampa

 

... do especial de Raul Seixas na Globo

 

... do novo disco de Gilberto Gil – é o que há!

 

... do filme de Almodóvar

 

... da reunião de Copenhague

 

... e dos  banhos da Mulher Sambambaia no reality da Record

 

Ah, os banhos da Sambambaia (Dani Souza) bombaram na internet e tornaram menos árido este 2009, de poucas e boas...



Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h59
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Útil e agradável

Arquivo pessoal - Museu D'Orsay (Paris)

 

Os formandos de jornalismo da Universidade Metodista invadiram o blog nos últimos dias, com trechos de seus trabalhos de conclusão de curso.

 

Meus caros, juntei o útil ao agradável.

 

O útil porque, como diria o Grande Nasci, estava assoberbado de tarefas que encerraram o ano letivo neste 18 de dezembro – enfim, férias.

 

Salve, salve...

 

(A gripe suína adiou o início das aulas que, por sua vez, se estenderam até sexta. Ufa!)

 

Agradável porque o internauta pôde tomar contato com uma gama de personagens e temas que, comumente, não apareceriam por aqui – o que dá mostra da diversidade de interesses desta nova e boa fornada de jornalistas.

 

Os balangandãs de Carmem Miranda, a Moreninha do Samba (Hebe), os Satyros, a Praça Roosevelt, os grandes momentos da rivalidade Palmeiras e Corinthians, o atual momento do boxe no Brasil, a origem da Copa São Paulo, o dia-a-dia dos motoboys, a coragem das mães que têm filhos na FEBEM...

 

Os temas foram muitos e tantos e tamanhos que até Geraldo Vandré – ele mesmo, aquele cantor/compositor dos anos 60 – deu as caras por aqui.

 

Até do twitter – que não tenho – eu falei.

 

Foi muito valiosa e bacana a participação da rapaziada e a forma que encontrei para homenagear e agradecê-los pela convivência desses quatro anos.

 

E deixar um último e importante recado:

 

O bastão está com vocês.

 

Lutem por um jornalismo que efetivamente promova as necessárias transformações sociais.

 

 

* Encerro a série na terça com trecho especial do livro-reportagem Carregadores de Piano – A História de Doze Operários do Futebol Brasileiro.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 07h40
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Para não dizer que não falei do twitter

Foto: Jô Rabelo

 

Depoimento do jornalista Milton Jung para a monografia “O twitter como nova ferramenta de jornalismo”, de Tarcízio Matheus Zanforlin, apresentada como trabalho de conclusão de curso de jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo.

 

-- Como fonte de informação, o twitter pode ser usado de diferentes maneiras. É possível identificar temas que estão sendo discutidos pelos usuários do serviço que podem nos pautar. É um transmissor de conteúdo que emite informações para o público e sinaliza assuntos importantes que estão na mídia.

 

-- Tenho explorado essa ferramenta nos dois sentidos. Como fonte e emissor de informação. Os resultados têm sido ótimos. Consigo atingir um público que, por diferentes razões, não está ligado na rádio naquele momento – mas, acessa a internet. Além disso, usufruo da opinião dos twitteiros para balizar a discussão no programa de rádio. Hoje, em toda a internet, há uma “jovem elite intelectual com repertório próprio”, expressão usada pelo professor de Ética da Universidade de São Paulo, Clóvis de Barros Filho. Acompanhar o movimento deste público que consome jornalismo como causa e consequência desta competência intelectual desenvolvida é importante para todos nós que trabalhamos com comunicação social.

 

-- Faz-se pouco jornalismo no twitter. Talvez nem seja esta a intenção da maioria dos usuários. No entanto, conheço algumas experiências interessantes de entidades ou grupos de pessoas que usam este mecanismo para divulgar ideias ou chamar atenção para artigos e pesquisas publicadas na internet. Se não fazem jornalismo propriamente dito, ao menos ajudam a fazer.

 

-- O diferencial do twitter em relação a outras ferramentas da web é a rapidez na divulgação de fatos e opiniões. Apenas o rádio consegue ser mais ágil que o twitter.

 

* Esclarecimento ao distinto público: ser blogueiro já é mais do que suficiente para este humilde escriba. Não tenho twitter, nem sei direito o que seja e para que e a quem serve...



Escrito por Rodolfo C. Martino às 13h06
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Assim começou a Copinha

Foto: Camila Bevilacqua

 

A Copa São Paulo de Futebol Júnior nasceu em 1969 e foi organizada pela primeira vez por Fábio Lazzari, assessor do prefeito Faria Lima à época. “Ele me pediu para que fossem realizados eventos esportivos para a comemoração do aniversário de São Paulo em janeiro. Então, criamos a Copa São Paulo, não só de futebol, mas de basquete, vôlei, handebol e assim por diante”.

 

Nos dois primeiros anos foram realizadas duas rodadas. Uma no dia 24 e a outra no dia 25, só com os vencedores. Todas as outras modalidades vieram com força máxima, menos o futebol. “Foi difícil para a gente conseguir. Primeiro porque os clubes estavam de férias. Então, a maioria não quis participar – e não participou. Alguns preferiram jogar com a categoria juvenil, antes não existia categoria júnior. Por isso, costumo dizer que a Copa São Paulo nasceu na categoria juvenil”, afirmou Lazzari.

 

O primeiro clube que aceitou participar foi o Sport Club Corinthians Paulista.

 

-- Fomos falar com o pessoal do Corinthians, e eles toparam. Depois vieram o Juventus e o Nacional. O Palmeiras ficou na dúvida. Mas, quando soube que o Corinthians iria participar, então participou também.

 

Em 71, logo após o Brasil ter conquistado o título mundial no México, a Secretaria Municipal de Esportes, onde Fábio Lazzari era diretor de promoções, realizou um campeonato de futebol colegial juntamente com a TV Bandeirantes.

 

-- A gente criou esse torneio, que foi um sucesso, mas terminado, a gente não sabia o que colocar no ar. Então, veio a ideia de se fazer um “Robertinho”. O campeonato brasileiro, antigamente, chamava Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Então, criamos o “Robertinho” para a categoria juvenil.

 

A procura por clubes de outros estados também foi difícil. Mesmo assim, todos quiseram participar e ficaram hospedados nos alojamentos do Pacaembu. Primeiramente, a Prefeitura arcava com todos os custos da competição. Depois que a Copa foi dividida em sedes, cada cidade passou a arcar com os custos, além de contar, muitas vezes, com patrocinadores e se tornou o que hoje é.

 

* Trecho do livro-reportagem “Fábrica de Jogadores – A  Trajetória da Copa São Paulo de Futebol Júnior”, de autoria de Matheus Almeida Trunk e Rafael Cabral Braz, apresentado como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h34
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Mães da FEBEM

 

Foto: Jô Rabelo

 

Quando o pai abandona o lar, a mãe se sente na obrigação de suprir a necessidade financeira e afetiva. “Com o acúmulo da função familiar, ela não tem como dedicar 100 por cento do seu tempo aos filhos”.

 

Ainda de acordo com o psicólogo, Reinaldo da Cruz, caso o jovem não sinta que há uma estrutura familiar dentro de casa, ele vai procurar na rua alguém que o acolha, que lhe proporcione prazer e reconhecimento. É aí que entra o tráfico. Ele dá a ilusão de ajudar as famílias que precisam, de proteger os adolescentes e dar emprego para sustentar os lares. “É no narcotráfico que ele conseguirá dinheiro e status, o que seria uma forma de mostrar para a família e amigos que é capaz de algo e tem quem o aceite”.

 

Por trás de um adolescentes que vai para a Fundação CASA, existe uma família em situação de risco, que impulsiona o jovem a cometer um ato infracional. Essa é a definição de Ariel de Castro Alves, advogado e presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo (SP). “Além de ter influência na formação dos adolescentes, existe também o outro lado. Se a família é do crime, a situação vira um ciclo vicioso. Aquilo que ele presencia em casa, até mesmo quando ainda é criança, faz com que assimile certas atitudes como normais.

 

(...)

 

O apoio familiar na saída do adolescente é fundamental para a volta do jovem ao convívio social. “O ideal para uma recuperação sadia seria o acolhimento, porém, alguns cuidados devem ser tomados. Reprimir demais é ruim, pois impede a autonomia do adolescente, que acaba ficando mais vulnerável ao que o mundo tem a oferecer”, completa a psicóloga Jeannie Cheisty Illison.

 

Para Maria Fátima Geiardo, educadora social do Núcleo Psicosocial e de Proteção Especial ao Padre Paschoal Bianco, para que haja recuperação por parte do jovem deve existir equilíbrio entre ambos. A falta de confiança e o medo de errar novamente é um sentimento quase unânime entre as mães que são presentes. “Trata-se de uma via de mão dupla. A mãe precisa confiar e o filho precisa passar confiança”.

 

A mãe precisa acreditar no menino. Consequentemente, o adolescente tem de perceber que a mãe, na maioria dos casos, sempre lhe dará uma segunda chance.

 

* Trecho do livro-reportagem “Mães da FEBEM”, apresentado e aprovado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodistas de São Paulo. Autores: Fabiana Garbelotto, Paula Meirelles e Renata Nogueira. Orientação: Profa. Dra. Margarete Pedro.

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h30
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Encontro com Vandré

 

O encontro foi marcado para um horário mais tarde que os anteriores.

 

Estava escuro quando todos se cumprimentaram, com muito mais serenidade e intimidade que das primeiras vezes. (Geraldo) Vandré, no entanto, parecia ansioso com alguma coisa.

 

Logo o motivo foi descoberto.

 

Ele queria as cópias de jornais e revistas em que apareceu nas décadas de 60 e 70. Já estava, inclusive, quase perdendo a paciência com as perguntas rotineiras sobre o tempo e supostas inutilidades, quando alguém interrompeu:

 

-- Olha, seu Geraldo, trouxemos para o senhor...

 

-- Obrigado. Está tudo aqui? Eu também trouxe uma coisa para vocês.

 

A surpresa daqueles que receberam o agrado de Vandré foi ainda maior.

 

(...)

 

Era um rolo de papel preso por um elástico.

 

Ao soltá-lo, os estudantes viram se desenrolar dois cartazes de um show.

 

-- Foram da minha última apresentação no Paraguai. É para o livro de vocês. Agora vamos voltar a conversar só em outubro, está bem?

 

Em pé na portaria do edifício, ainda tentaram poucas perguntas.

 

-- Mas quando o senhor voltou do exílio...

 

-- Eu ainda estou exilado.

 

-- E quando o senhor vai voltar?

 

-- Não sei. Mas eu ligo para vocês quando isso acontecer.

 

Uma conversa pouco convencional, uma despedida rápida e a certeza de que Vandré pode até estar exilado, mas ainda está vivo.

 

 

* Trecho do livro reportagem “Eu Nunca Fui Assim” – A (des)construção da imagem de Geraldo Vandré. Autores: Ana Luiza Silvestrini da Costa, Fernanda Galmacci Doniani, Paula Cristina e Silva, Rodrigo Sampaio de Sousa e Silvana Figueiras Chaves. Trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, com orientação do professor Oswaldo de Oliveira. Com grande honra, participei da banca, como examinador, ao lado do jornalista José Paulo de Andrade. Parabéns aos jovens jornalistas.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h40
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem

Rodolfo Carlos Martino é mestre em Comunicação Social. Leciona na Universidade Metodista, onde responde pela coordenação do curso de jornalismo, desde 2005. Foi diretor de Redação de Gazeta do Ipiranga por 28 anos. Autor do livro "Às Margens Plácidas do Ipiranga".

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