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Ô o Vascão voltôôô, o Vascão voltôôô, O Vascão voltôôô ô...

Foto: Jô Rabelo Antes de mais nada, a informação. Para quem não se liga na Segundona explico rapidamente: Neste ensolarado sábado, o Vasco venceu o Juventude por 2x1, em jogo sofrível, mas com um Maracanã lotadasso: mais de 81 mil pessoas presentes. Com essa vitória, abriu 13 pontos do quinto colocado – o Figueirense. Como faltam quatro rodadas para o fim do campeonato, um lugar entre os quatro primeiros – e o conseqüente acesso – está matematicamente assegurado. Agora, a ressalva: Quem aqui me acompanha sabe que sou palmeirense. E nem sou do tipo que torce por um clube em cada estado, em cada país, em cada planeta. Concluindo, o comentário: Tenho bons motivos para estar feliz com a volta do Vasco à elite do futebol brasileiro. A saber: A história do Vasco é muito linda. É o primeiro clube brasileiro a reconhecer que o futebol era mesmo um esporte popular. Foi o primeiro a abrir as portas para os negros, lá nos antigamente, quando só à elite era dado o direito de correr atrás da redonda. Outro ponto. Depois de anos subjugado por uma administração autoritária e desastrosa, é bonito ver esse renascimento nas mãos do presidente/ídolo/boleiro, Roberto Dinamite. Importante essa volta por cima, no campo e fora dele, que o Vasco está dando. Ressalto também o trabalho de Dorival Júnior como técnico. Não tenho duvido que esta conquista o coloca entre os melhores do Brasil. Gosto da serenidade de suas declarações. Nas vitórias e nas derrotas. Tem juízo e um futuro promissor. Por fim, a recuperação de um garoto bom de bola, Carlos Alberto, que até então andava ruim da cabeça, o que o fazia “doente” do pé. Meus aplausos, pois, pois, à nação cruzmaltina.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h46
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A Voz do Mestre

Foto: Camila Bevilacqua “Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora. Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo Amanhã, porque o Amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade. “Vim para viver na glória do Amor e na luz da beleza, que são reflexos de Deus. Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte. “Vim aqui para ser todos e com todos, e o que faço Hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens. “O que digo hoje com apenas meu coração será dito Amanhã por milhares de corações.” Kahli Gibran, no prefácio do livro A Voz do Mestre. - Os textos de Gibran (1883-1931), escritor e artista plástico libanês, pretendiam promover o auto-conhecimento e fazer com que as pessoas se descobrissem como ponto de partida “para a descoberta da beleza, o deslumbramento da verdade e a revelação de Deus”. Uma busca cada vez mais ausente entre as premissas da sociedade contemporânea. “O Profeta” foi seu livro de maior sucesso.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h05
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Chiquinho Batista

Foto: Walter Silva Eu o chamava de “O Vereador do Ipiranga”. Seu nome: Francisco dos Santos Batista Filho. Chiquinho Batista, para o eleitorado que o escolheu lá nos confins dos anos 50 para duas ou três legislaturas. Era janista convicto. E foi o fundador de Gazeta do Ipiranga, onde atuou até 1961, quando vendeu o semanário para o casal Tonico Marques e Araci Bueno. Quando eu o conheci, fim dos anos 70, ele estava afastado das lides públicas. Beirava os 60 anos e, numa das tantas entrevistas que fiz com ele, me garantiu que só voltaria à vida pública “o grande Jânio Quadros” (no entender dele) o convocasse. Foi o que aconteceu em 1985. Contra tudo e contra todos, Jânio deu um chocolate eleitoral em Fernando Henrique Cardoso e se tornou prefeito de São Paulo. Chiquinho se fez vereador. Sua volta à Câmara Municipal não foi tão bombástica quanto das vezes anteriores. Ele apenas sorria quando comentávamos o episódio em que levou um cesto de cobras à Prefeitura e as soltou no gabinete do prefeito Prestes Maia. A cena entrou para o folclore da política paulistana. -- O homem não quis acreditar quando lhe disse que o Alto do Ipiranga estava infestado de cobras. Foi o jeito que dei para provar o que eu dizia. Agora, eu não faria isso. Àquela altura da vida, Chiquinho já desenvolvia um tratado próprio de Filosofia e Doutrina que dividia em capítulos. A cada um desses manifestos, denominava de “Mensagens Cósmicas” e, impressos em papel sulfite e grampeados, presenteava amigos e pessoas interessadas em suas perolações. Não fui propriamente um amigo de Chiquinho Batista, mas recebi uma dessas mensagens, a de número 10. Tem 197 tópicos. Um deles fala dos cinco sentidos da vida, segundo o autor. A saber: Austeridade. Generosidade. Sinceridade. Seriedade. Gentileza. “Se for austero, será respeitado. Generoso, conquistará tudo. Sincero, se fará confiável. Com seriedade, sempre alcançará êxito. E o homem gentil é um ser superior”. Lembrei dele hoje quando vasculhei meus guardados e encontrei a rústica apostila. Chiquinho era Rosa Cruz; e cumprimentava o Sol, sempre ao meio-dia.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 03h17
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No mundo da lua

Foto: Jô Rabelo Foi na tarde de segunda. Feriadão e coisa e tal. Estava em casa de bobeira, no mundo da lua, brincando com o controle remoto e pimba! Reencontro o cantor/compositor Guilherme Arantes após longos anos sem notícias do moço. A esta altura da vida, um jovem e falante senhor. Ele repassa seus grandes sucessos sob o olhar de admiração da apresentadora do programa, Kátia Fonseca. (Ela me lembra alguém!) A bem da verdade, a moça mal consegue falar. Guilherme engata uma canção atrás da outra e um assunto atrás do outro. Fala de bossa-nova, do parceiro Nélson Motta, dos filhos que moram com ele, da mãe que lhe deu o mote para uma das canções (“Filho, você vive sempre no mundo da lua”), dos tempos em que fazia sucesso, inclusive com as mulheres (“Eu era um gato!”), e que mora em Salvador, Bahia, desde 2000. Quando era repórter, entrevistei Guilherme Arantes diversas vezes. Sempre considerei que seu talento como compositor não tem o reconhecimento que merece, especialmente por parte da crítica. Acho inclusive que os grandes meios de comunicação não lhe dão o valor devido e pouco tocam as belas canções que fez. Enfim... De outro modo, posso inclusive afirmar que o amor que sente pela Bahia é antigo. Em tempos idos e vividos, fui entrevistá-lo no escritório paulistano da gravadora Som Livre. Cheguei no horário aprazado – e nada do moço aparecer. Hora e tanto depois, o próprio ligou para gravadora e disse que não viria ao encontro. Brigou com os pais (que não queriam que ele seguisse a carreira artística) e ‘fugiu’ para Salvador, onde estava naquele exato momento. Esqueceu da agenda que tinha a cumprir como promissor cantor/compositor. Se alguém duvida, pode perguntar para a atriz Rosi Campos. Ela era assessora de imprensa da Som Livre à aquela época. E ele já vivia no tal mundo da lua... (Curioso. Não consigo lembrar quem a Kátia Fonseca me lembra. Mas, também não consigo esquecer que ela me lembra alguém.)
Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h08
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O muro e a ponte

Foto: Jô Rabelo Claro que acreditávamos em dias melhores naquele 9 de novembro de 1989 quando começou a derrubada do Muro de Berlim. Sonhávamos com um mundo mais justo e solidário, como costumávamos dizer então. Ainda hoje me lembro da expressão do então repórter Pedro Bial, correspondente da Globo, a anunciar o histórico momento. A Paz. A almejada Paz era possível, tangível aos nossos sonhos. Ao alcance dos nossos passos. Nos dias seguintes, ele e o outro correspondente, Síllio Boccanera, deram prosseguimento às reportagens sobre a reunificação da Alemanha. Na História do Jornalismo Brasileiro, esta foi uma cobertura marcante. Sempre costumo citá-la em minhas aulas. Aproveito para explicar aos garotos que dois valorosos repórteres de TV estavam presentes na Alemanha, em 13 de agosto de 1961, quando se começou a levantar a tal muralha. José Carlos de Moraes, o Tico-Tico, e Carlos Spera eram os enviados da TV Tupi. Eles foram os precursores dos grandes repórteres de TV. Faziam tudo na base do improviso, com parcos recursos técnicos. Eram parceiros. Em cena, chegavam a dividir um único microfone. Não havia sequer vídeo-tape, tudo era gravado em película e enviado para o Brasil. Mesmo com atraso de dias e dias davam o seu recado. Aliás, acho oportuno ressaltar: a reportagem é, sempre foi e sempre será a essência do jornalismo. Essa profissão abençoada só existe se o jornalista for onde a notícia está. Só existe para denunciar os muros que nos separam – os visíveis e os invisíveis. Só existe para construir a ponte que nos une e/ou unirá. Só existe em nome de um mundo mais justo e solidário, como costumávamos dizer então. E ainda estamos longe de alcançar.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h11
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O mascote

Foto: Jô Rabelo Já não se fazem mais Palmeiras e Corinthians como antigamente. Não falo só em termos de postura técnica das duas equipes em campo. Ou mesmo dos esquadrões que os clubes brasileiros já não possuem. Falo mesmo das divertidas discussões que aconteciam desde a noite de domingo e se estendiam pelo resto da semana. Até o próximo Derby, como batizou a peleja o jornalista Thomaz Malzzoni, da então poderosa A Gazeta Esportiva. Passei a segunda tranqüilo, sem ter que responder nenhuma provocação de corintianos. Estou quase para dizer que meus chegados, que torcem para o time da Marginal S/N, estavam divididos em indecifrável dilema: vencer o Palmeiras e entregar a liderança do Brasileirão para o São Paulo ou perder para o arquirival e ainda ter que agüentar o mini-tabu de quatro anos sem vitórias sobre o tal. É um sentimento assim, eu diria, inconsciente. Mas, desconfio que real. Na dúvida, o empate ficou de bom tamanho para as partes. Vida que segue... No tempo do meu pai, as coisas seriam bem diferentes. A italianada reunia-se no Astória, célebre bar da rua Lavapés, e o bate-boca era bem animado. Exaltavam-se, mas sem perder a classe. Haja cerveja para refrescar a cuca da então rapaziada. Que, além do futebol, tinha outras paixões. Uma delas era apostar alto em corridas de cavalos. Era garoto e acompanhava o pai nessas noitadas – que não iam além das 10 da noite, como se dizia então. Gostava de estar no meio daquela algazarra, o pessoal me enchia de balas e guaraná caçulinha. Era o mascote da turma. Às vezes, as discussões me assustavam. Mas, o pai me tranqüilizava com um quase enigma que só fui entender bem mais tarde . -- É só barulho. Não dão em nada esses berros. Aqui, o pessoal só perde a compostura com cavalos lerdos e mulheres espertas.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h35
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Esmeril

Foto: Jô Rabelo Porque assim é o esmeril da vida... ... me ausento do blog por uns dias. Não para descansar. Cuido de projetos acadêmicos e outro pessoal. Os tais precisam estar nos trinques antes que passemos a chamar o ano de “ano-velho” e nos tome de roldão aquela preguiceira própria à época. Já já embicamos em novembro, repararam? Enfim... Volto dia 3. Assim espero...
Escrito por Rodolfo C. Martino às 15h37
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Canetinhas e lambe-lambes

Foto: Jô Rabelo Escrevi recentemente sobre as antigas redações. Do toctoctoc da máquina de escrever. Do entra e sai dos repórteres e fotógrafos – também conhecidos por ‘canetinhas’ e ‘lambe-lambes’. Das conversas em voz alta, em tom de stress – aliás, e a palavra nem existia; dizia-se em tom “acalorado”, e bota “acalorado” nisso. Do alívio das páginas descendo para a gráfica. Do riso frouxo na alta madrugada quando se esperava os jornais do dia na boca da impressora – era um belo alvará de soltura para os chegados a uma trampolinagem, se é que me entendem. Um parceirão daqueles idos tempo me encontrou – e, simpático ao texto, referendou o que escrevi mais para nostálgico. -- É isso mesmo, lamentou. -- Não se fazem mais redações como as de então. Ele ainda está na ativa, por isso não vou identificá-lo. Teme ser considerado um dinossauro pela rapaziada com quem trabalha e um obsoleto pelo dono do jornal. -- Hoje é tudo muito técnico, tudo padronizado. Textos curtos, óbvios. Parecem feitos por robôs. Não tive como lhes explicar que meu texto não tinha essa pegada de ‘melhor’ ou ‘pior’. Ou teve? Achei mais propício ser simpático e concordar com ele. -- Você tem razão. Há que se entender o Almeidinha. (Ops! Acho que entreguei o meu camarada.) É um cara do bem. Sempre cuidadoso com a apuração da notícia; sempre elegante a combinar ternos escuros, camisa branca e gravatas fininhas pretas ou quase-pretas. Ele anda na bronca com o pessoal da Redação, onde trabalha. Especialmente os mais jovens. Até pouco tempo atrás, a meninada o chamava de Nôno por causa do traje formal. Agora, falam que “o Vôzinho embalou o visu” dos caras do CQC. -- Assim não dá, diz ele tirando os óculos escuros. Por isso, dou o devido desconto aos queixumes. Reconheço que deve ter lá seus encantos essa coisa maluca de andar em cima da informação em tempo real. Na verdade, não se mede mais os prazos de ‘fechamentos’ por dias, horas – e, sim, por minutos, instantes... Parece instigante. Mesmo assim, preferi não perder o amigo.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h01
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O artigo do filho do meu amigo

Foto: Caio Kenji
“A cultura deixa de ser um bom negócio, como alguns pregavam, para ser de fato assunto público, ou seja, de política pública.” Na seção Uns e Outros do meu site, transcrevo hoje artigo do antropólogo José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura.
Chama-se Cultura Vale-Cultura e foi publicado ontem pela Folha de S. Paulo. http://www.rodolfomartino.com.br/artigo.php?id_artigo=1459 Júnior é um amigo querido. Há tempos não tinha notícia do garoto, hoje com 43 anos. Fiquei feliz ao saber de sua trajetória profissional. Tenho certeza que deixaria orgulhoso o grande Nasci, seu pai e meu mestre e inesquecível amigo naqueles que foram os anos mais antigos do passado. Repito estou feliz, algo saudoso e, diria até, levemente emocionado. Divido com vocês esse momento...
Escrito por Rodolfo C. Martino às 12h56
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You say goodbye

Foto: Jô Rabelo -- Você andou sumido.
A resposta veio na forma singela dos velhos políticos mineiros para explicar o inexplicável. -- Estou onde sempre estive. A moça ficou desconcertada. Talvez esperasse ouvir algo mais romântico. Disse apenas: -- É. Ele percebeu a mancada – e tentou remendar: -- Nada que um toque celular não me alcance. Ela sorriu timidamente. Tinha um ar de decepção. Despediu-se com um meneio de cabeça, como se ajeitasse os cabelos lisos e negros. Saiu pisando macio e a se perder em meio ao tumulto da Praça de Alimentação na hora do almoço. Ele a seguiu com os olhos, em silêncio. Como se nada houvesse acontecido. Não estava triste, nem feliz. Cena comum de shopping qualquer de uma cidade qualquer. Foi um encontro casual. Nada de extraordinário, alguém dirá. Tenho cá minhas dúvidas. Como sabem, tenho uma tendência de imaginar coisas. Buscar histórias. Bem que poderia ser o grande encontro da vida dos dois. Por que não? Os dois se conheciam, certamente. Não eram propriamente amigos, amigos. É possível que, em uma dessas baladas da vida, pintou o tal clima, e eles acabaram ficando. Sinceramente, mesmo a distância, me pareceu que ambos apreciaram o reencontro. Mas, para decepção deste modesto escriba que imaginou lhes narrar uma historieta com final feliz, não souberam aproveitar o que o Sr. Acaso lhes proporcionou. Coisas da vida. Vou lhes dizer mais. Exibiram um ar de que tinham algo mais importante para fazer da vida, quando se despediram. Que pena!, lamentei por eles e por mim que perdi o mote da crônica. Lembrei-me da velha canção dos Beatles: “You say goodbye And I say hello” E assim, entre um “olá” e um “adeus”, caminha a humanidade.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 19h26
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A bronca de Muricy

Foto: Camila Bevilacqua Compreendo e justifico o desabafo de Muricy. Primeiro, porque os deuses do futebol literalmente tomaram a bola do Verdão e, ao que consta, tão cedo não pensam em devolvê-la, haja visto o pênalti cobrado por Wagner Love. A bola foi para as nuvens. Invadiu a morada dos ditos-cujos deuses. Não sei se eles gostaram... Ou seja, Muricy tinha bons – ou péssimos – motivos para estar no limite, como bem (ou mal) demonstrou na coletiva de ontem, após a derrota do ainda líder Palmeiras para o Flamengo, em pleno Palestra Itália. E tem mais. Assim como eu, o técnico acompanha os programas esportivos no rádio e na TV. Assim como eu, ele ouviu o que eu ouvi e viu o que eu vi. Só que eu posso mudar de emissora a hora que bem entender. Como profissional da área interessado que é, Muricy tem de saber o que estão dizendo sobre o seu trabalho. E o que diz a seleta crônica esportiva... Que o Palmeiras está há 16 rodadas na liderança do Brasileirão, mas não é a notícia. A notícia são os clubes que supostamente estão “atropelando”. A saber: O bicho-papão São Paulo. O Inter, de melhor elenco do Brasil. O Atlético, de Minas, que fez as melhores contratações. O Grêmio, nas mãos do estrategista Paulo Autuori. Falaram até do Corinthians para a conquista da almejada tríplice coroa. O clube da vez é o Flamengo, já anunciado com loas e proas de campeão. Claro que não é hora de radicalizar. Há quem fale do Palmeiras. Mas, o que falam esses senhores? Que o Palmeiras é líder graças ao trabalho do Jorginho. O time jogava com alegria. Foi quando a equipe deslanchou. Ah! há também os que enaltecem a competência do presidente Belluzo. Os milagres de São Marcos. As jogadas de Diego Souza. Bem merecidos os elogios, mas o que dizem a respeito do trabalho do técnico tricampeão brasileiro? “Previsível.” Ou seja, parece que o Muricy foi entregar um telegrama no Parque Antártica e o contrataram para treinar a equipe. Também não é assim, rapaziada. Pau que bate em Chico bate em Francisco também.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 14h23
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Três histórias sobre o GP Brasil

Itália/arquivo pessoal
Três breves histórias sobre o GP Brasil de Fórmula 1. A primeira, eu vi. A segunda, eu vivi. A terceira, gostaria de ter escrito. I. A que eu vi: O repórter-fotográfico Anísio Assunção foi destacado para cobrir o primeiro dia de treinos em Interlagos. Ficou todo entusiasmado, pois faria sua estréia na categoria mais rápida do mundo. Todo orgulhoso exibia a credencial da FIA a todos nós, repórteres viralatas que continuaríamos, mesmo num fim de semana tão especial para a Cidade e para o mundo, com nosso ramerame diário de coberturas. Buracos de rua, rondas policiais, o trânsito nas estradas que nos aguardassem. O Anísio, não. O Anísio faria Fórmula 1. Talvez seja bom lembrar que ainda, àquela época (não tão distante assim), não existia máquinas fotográficas digitais. Fim da tarde. De volta à redação, encontramos o amigo ‘lambelambe’ numa tristeza danada. Estranhamos inclusive o silêncio da figura, falador por excelência. Sobre a mesa do editor, a razão de tamanha dor. Uma penca de fotos em que ora apareciam apenas o bico dianteiro dos bólidos ora se via apenas a traseiro dos danados. Duas ou três puderam ser aproveitadas. Eram do movimento dos boxes. Mesmo assim, Anísio estava pronto para um novo embate no dia seguinte: “Os bichinhos são rápidos demais, sô” – disse com seu inconfundível sotaque mineiro. “Mas, amanhã, eles não me escapam.” II. A segunda, a que eu vivi. Meus cinco ou seis fiéis leitores podem não acreditar. Mas, eu estava lá, em Interlagos, quando aconteceu a primeira corrida de Fórmula 1 no Brasil. Atentem para o ano: 1972. Para que tenham ideia, a prova ainda não fazia parte do calendário oficial da categoria. Foi uma espécie de teste. Emerson Fittipaldi era o piloto brasileiro. Não lembro se foi ele que ganhou. Desconfio que não. (Procurem no Google!) Mesmo assim, foi bem divertido. Assim como o Anísio, não tinha noção de quem era quem. Mas, achei os bichinhos rápidos demais, sô. III. Eu gostaria de ter participado da cobertura que o jornal Notícias Populares fez de um dos GPs do Brasil num desses anos que se perdeu no tempo. Acreditem! O João Gordo era um dos repórteres. Ele tinha uma característica comum a mim e ao Anísio: não entendia nada do assunto. Esse era o diferencial. Falou do que acontece no dia dos pilotos, da mulherada que fica solta por ali, do trampo duro dos mecânicos, dos bastidores da coisa toda. Um dia antes da prova, o jornal trouxe estampado um mapa de como assistir ao Grande Prêmio de graça. Em cima da ponte, subindo um barranco, atravessando um buraco em uma das grades, entre outras possibilidades. Foi um sucesso! No dia da prova, esses locais estavam lotados.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 05h57
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Sonhos, sonhos são...

Bariloche/aquivo pessoal Platão escreveu. Jorge Luis Borges adaptou para O Livro dos Sonhos que consulto como se fosse um oráculo. (Talvez o seja mesmo...) Tento aqui uma interpretação livre, direta. Adormecer é permitir que a ‘alma’ liberte-se do corpo (ou da imagem exterior que temos e preservamos) e vague noite adentro por caminhos que bem escolher. Quando fechamos os olhos, liberamos essa rota de fuga. O simples ato de fechar os olhos acalma e aquieta movimentos e aflições. Assim, em paz, advém o sono. Se o repouso é completo, “um sono quase sem sonhos se abate sobre nós”. De outro modo, nem sempre conseguimos, mesmo ao dormir, domar medos e desejos, frustrações e expectativas. Sentimentos esses de múltiplas naturezas que reaparecem em imagens de diversos tipos e intensidade, que se assemelham ou não às que nos são conhecidas da vida real “e das quais conservamos alguma lembrança ao despertar”. II. Sobre o teor de profecias que, dizem, os sonhos possuem, Borges transcreve um trecho de ‘História Del Nuevo Mundo’, de Bernabe Cobo: Huayna Cápac vivia em uma aldeia que foi dominada pela pesta. Com medo de infectar-se Huayna Cápac fugiu para as montanhas e encerrou-se em uma gruta. De lá não saía para nada. Em uma noite, em que estava à beira do desespero, ele adormeceu e sonhou que três anões lhe diziam: -- Inca, viemos buscar-te! Ficou ainda mais confuso, e assustado. Mesmo assim, voltou a dormir. Sonhou que o oráculo de Pachacámac lhe ordenava sorridente: -- Inca, ponha-se ao sol! Huayana Cápac tranquilizou-se. Imaginou que era o fim do isolamento. O recomeço da vida. Saiu o inca ao sol e, em seguida, morreu.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h26
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Hawilla e o Diário de S. Paulo

Foto: Jô Rabelo Não muda nada, mas pode mudar tudo no universo paulista das letrinhas impressas e diárias. O empresário J. Hawilla anunciou ontem a compra do Diário de S. Paulo que, até então, pertencia às Organizações Globo. Aos desavisados navegantes, um adendo. Hawilla é o dono da Traffic, uma das mais importantes empresas de marketing e eventos esportivos do Planeta. Fez carreira como repórter de campo da Rádio Bandeirantes e da Rádio Globo, de onde foi demitido em 79 por aderir a malsucedida Greve dos Jornalistas. Hoje, aos 65 anos, seus negócios vão muito além das esferas esportivas. Possui a rede de jornais Bom Dia que circula em 100 cidades do interior paulista e uma afiliada da Rede Globo em São José do Rio Preto, sua cidade natal. Ou seja, o homem é um Midas dos tempos modernos. Em 30 anos construiu um império. Outro adendo. Há cerca de sete anos, a Globo comprou o Diário Popular, do ex-governador Orestes Quércia, com interesse em estabelecer em São Paulo outro braço impresso do maior conglomerado de comunicações do País. A primeira medida da Família Marinha foi trocar o nome do jornal. De Diário Popular passou a se chamar Diário de S. Paulo. Nunca ficou claro o objetivo da mudança do nome. Jornal que desapareceu em meados dos anos 70, quando o Império Chatô (leia-se Diários e Emissoras Associados) entrou em crise, que culminou inclusive com a falência da TV Tupi, primeira emissora de TV do País. Até porque esta era denominação do matutino de Assis Chateaubriand na cidade.
Há quem diga que a Globo quis tirar o ranço popularesco do jornal, cuja linha editorial se apoiava nos noticiários esportivo e policial. Com isso, pretendia atrair novos e mais requintados anunciantes. O Diário Popular era chamado o Rei das Bancas. Tinha poucos assinantes e a força comercial residia nos pequenos classificados de empregos, automóveis e demais anúncios econômicos. Mesmo com toda tradição e história , o DiPo já não rivalizava em prestígio e negócios com os dois ‘medalhões’ da imprensa paulistana: O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo. A Globo queria fatiar esse bolo em três. Não conseguiu, e tocou a bola para frente. Por isso, comecei o texto dizendo que não muda nada. O objetivo de J. Havilla será o mesmo. Abocanhar parte dos anunciantes de peso e do, digamos, poder político e midiático da Folha e de O Estado. E é exatamente neste ponto que tudo pode mudar. Hawilla não vai administrar o jornal do Rio de Janeiro, como faziam os antigos proprietários. Conhece bem a cena política paulistana e, principalmente, ele acredita no futuro do jornal impresso. Ou seja, faz toda a diferença.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h53
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Dunga e Maradona

Foto: Jô Rabelo Consta que: Dunga é um bom moço. Maradona, nem tanto. Os dois foram campeões do mundo por seus respectivos países. Marcaram épocas. De forma distinta, é bem verdade. Dunga nomeou uma “era” que muitos preferem esquecer. Contradiz a malemolência e o futebol arte. Maradona é endeusado na Argentina. O melhor de todos os tempos. De todas as eras. De todo o sempre. Dunga sempre conviveu com a crítica ácida. Contundente. Ele desconfia que o perseguem.. Maradona só recebeu elogios. Mesmo quando se afundou nos desvãos da vida. Venerável, Pibe. Consta que: Os dois assumiram como técnico das seleções de seus países. Ambos desacreditados. Estreavam na função. Que, diga-se, é ingrata e não permite vacilos. Outro fator: Dunga foi apenas um bom jogador. Dedicado, sério. Disciplinado. Maradona foi um craque fora de série. Extraordinário, imprevisível. Maluco-beleza. Apesar da desconfiança, Dunga montou um time correto. Que, à sua imagem e semelhança, não encanta. Vence. Classificou-se para o Mundial com três rodadas de antecedência. Tudo nos conformes dungueanos. Sob olhares complacentes, Maradona não montou time algum. Sua imagem à margem do gramado, era a atração. Valeu mais do que a atuação dos argentinos faziam em campo. A Argentina vai à Copa – mas, quase não chega lá. Consta que: Ontem, os dois se julgavam técnicos vitoriosos. E assim foram para as respectivas entrevistas coletivas. Dunga enfrentou os repórteres com certo cinismo de quem pensa: “Vocês não sabem do que estão falando.” Maradona soltou os cachorros em cima dos jornalistas. Mandou que fossem e tomassem e... Bem, deixa pra lá! Esqueceram que não falavam unicamente para “os periodistas”. E, sim, para o distinto público dos distintos países que se dizem honrados em representar. Podem ter lá suas razões – e acho mesmo que têm. Os jornalistas falam demais, escrevem demais, criticam demais, noticiam demais. Mas, querem saber? Os dois me pareceram tão tolos. Destoavam do momento pleno de felicidade que todos viviam, inclusive os jornalistas; no fundo, os maiores torcedores.
Escrito por Rodolfo C. Martino às 10h39
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