Quem diria, eu, literato?

Só hoje fui me dar conta de que o pessoal do UOL repaginou a home dos blogs e a apresentação de seus blogueiros.

 

Não sou expert em design, mas diria que a home ficou mais intensa.

 

Vamos ver quando dou as caras por lá.

 

Dizem que aquele espaço não é a sala de votos do Santuário de Aparecida, mas reúne lá seus milagres.

 

Basta ter uma chamadinha por lá e o número de acessos explode.

 

Faz sentido.

 

Quanto à apresentação dos blogueiros, achei supimpa.

 

Lista os escribas por ordem alfabética ou por temas.

 

Tem de tudo para o internauta nesse balaio blogosférico: arquitetura & design, beleza, celebridades, esportes, gastronomia, internet & tecnologia, humor, mídia e publicidade, moda & estilo, música, notícias, quadrinhos, política, televisão, viagem & turismo, entre outros tantos e quantos.

 

Fiquei sinceramente lisonjeado quando soube que nosso modesto enfileirar de letrinhas foi classificado no gênero Literatura.

 

Acho que é muita areia para o fuleiro caminhãozinho de relatos diários que cismo de contar a partir de um olhar, de uma emoção...

Fiquei todo-todo quando li.

 

Vou tentar não decepcioná-los.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h11
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A frase de Guarnieri

É sempre um momento de honra participar de cerimônias como essa...

 

Aliás, sempre lembro que cheguei atrasado à colação de grau do meu filho exatamente porque estava envolvido com o fechamento da edição do jornal em que trabalhava naquela noite.

 

É uma forma de compensar esse pequeno/grande deslize...

 

Ontem eu e o professor Paulo Rogério Tarsitano, diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, participamos da cerimônia de encerramento da Semana Estado de Jornalismo. Dois alunos da Metodista ficaram entre os 16 finalistas e concorriam a uma bolsa de estudo na Universidade de Navarra, na Espanha.

 

Participaram da Semana aproximadamente 720 estudantes de jornalismo de 62 escolas de todo o País. O Bruno e o João Guilherme não venceram – mas, foram elogiadíssimos pelos componentes da banca examinadora formada por representantes do grupo Estadão, do banco Santander que patrocinou o evento e da Universidade espanhola.

 

Os dois estavam felizes. O Bruno quase chegou lá.

 

Bom vê-los conquistando espaços, fazendo planos, escrevendo a própria história.

 

Um momento muito especial que hoje também vivemos, ao contemplar, daqui desta bancada, o semblante de vocês.

 

Por isso, reverencio a conquista de vocês, a etapa que se cumpriu – e, da qual, saem agora amplamente vencedores.

 

Faz parte do rito da Universidade vê-los agora partir para enfrentar o desafio do “fazer jornalístico”.

 

“Fazer jornalístico” que é fundamental para a construção de um mundo melhor e de “um Brasil para todos os brasileiros”.

 

Aliás, essa expressão “um Brasil de todos os brasileiros” ouvi do dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri à época das Diretas-Já. Ele era secretário de Cultura do então prefeito de São Paulo, Mário Covas.

 

Conhecê-lo foi uma das graças que o fazer jornalístico me concedeu.

 

Um irremediável sonhador.

 

Torço para que nunca abram mão de seus melhores sonhos – e que saibam transformá-los em realidade.

 

Esse Brasil de todos os brasileiros precisa de jornalistas sonhadores, éticos e socialmente comprometidos com a transformação.

 

 

* Pronunciamento para os formandos de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, turma de julho de 2009.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 12h26
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Navarra

Toda a minha torcida nesta quarta, dia 18, para o Bruno e o José Gabriel, representantes do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo que estão entre os 16 finalistas do Prêmio Santander Jovem Jornalista, uma realização de O Estado de S. Paulo, com apoio do Banco Santander. O vencedor receberá uma bolsa de estudos para o primeiro semestre letivo de 2010, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Pamplona/Espanha). Neste ano, o programa reuniu estudantes de jornalismo de todo o Brasil, além das 52 faculdades de São Paulo, participantes das edições anteriores.

Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo (do sexto semestre) e José Gabriel Navarro (do oitavo semestre) concorrem com Aline Ramos do Nascimento (PUC-Campinas), Bruna Aparecida Neves Rosa (Unitau), Cleber de Arruda Silva (Fac. Anhembi Morumbi), Deborah Pellegrinetti (Unisanta), Emily Mendes dos Santos (PUC-Campinas), Géssica Brandino Gonçalves (UMC), Juliano Moreira Oliveira (UniFiamFaam), Luisa Ponzoni Frey (UFSC), Lygia Haydée de Lima Silva Rocha (Cásper Líbero), Marcos Henrique Hiraoka (ECA/USP), Raphael Souza Lima Marchiori (São Judas), Renan de Carvalho Gouvêa (UNAERP), Roxane Erendira Regly (ISCA) e Yana Souza Lima (UniVali).

A avaliação dos candidatos será feita por representantes do Santander, do jornal O Estado de S.Paulo, da Universidade de Navarra e pelo coordenador de uma das faculdades que participaram do programa.

O resultado será divulgado às 18 horas de hoje, durante evento, com a presença dos finalistas e convidados. O vencedor receberá uma bolsa de estudos para o primeiro semestre letivo de 2010, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Pamplona/Espanha). Já estiveram na Espanha as estudantes Flora Morena (Univap), Giselle Hirata (UMC) e Renata Moraes (ECA/USP), respectivamente ganhadoras de 2008, 2007 e 2006. 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 06h00
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Só para contrariar

Da série Não Dá Para Acreditar Em Comentarista de Arbitragem...  

Ontem, no programa “Bem, Amigos”, o comentarista de arbitragem, Arnaldo Cezar Coelho, absolveu o árbitro gaúcho, Leandro Pedro Vuadem, que atuou no jogo de sábado entre São Paulo e Vitória. Ele disse que Vuadem agiu certo ao dar apenas cartão amarelo para André Dias e Hugo que trocaram sopapos entre si logo nos primeiros minutos de jogo.

Umas pelas outras, disse que expulsar os dois seria um exagero, aquela era uma situação natural de uma partida decisiva em que os nervos estão à flor da pele.

Os jornalistas presentes concordaram com o veridicto de Arnaldo.

 

Torci para que ao menos um deles lembrasse ao distinto que a regra não é tão clara assim.

 

Ele próprio acabara de condenar o árbitro que um dia foi.

 

Em lance parecido com o de sábado, mas bem menos ríspido, Arnaldo colaborou para decidir o campeonato brasileiro de 1978. No primeiro jogo entre Palmeiras e Guarani, ele todo pimpão expulsou o goleiro Leão que, de posse da bola após uma defesa, afastou com o antebraço o avante Careca que o pressionava impedindo a rápida cobrança de um tiro de meta.

 

Arnaldo não só expulsou o goleiro, titular do Palmeiras e da seleção brasileira, como marcou o pênalti, cobrado por Zenon, que definiu o placar

 

O jogo foi no mesmo Morumbi, em 10 de agosto de 1978, com a presença de um público de quase 100 mil pessoas. É provável que o professor Belluzo estivesse entre os espectadores. Certo mesmo é que não cruzou com Arnaldo Cezar em seu caminho naquele dia.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 13h39
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Silenciosa oração

Foto: Walter da Silva

 

Sentia-me acolhido todas as vezes que chegava ao Ipiranga pela manhã, dirigindo meu carro pela via Anchieta. Olhava, ao longe, a torre da igreja Imaculada Conceição à esquerda e a da Nossa Senhora Aparecida à minha direita.

 

-- Deus nos abençoe, murmurava mesmo em pensamento.

 

Fiz esse trajeto diariamente por mais de duas décadas a caminho do serviço.

 

As duas construções destacavam-se em meio aos prédios, me inspiravam a silenciosa oração e a certeza de uma boa jornada pela frente.

 

Entre São Bernardo, onde moro, e a redação de piso assoalhado na rua Bom Pastor, topava com a silhueta de duas outras igrejas mesmo que distantes: a de São João Batista, no Rudge Ramos, com imponente cúpula e a de São Vicente de Paulo, já em São Paulo, nos arredores da Anchieta.

 

No entanto, o momento de maior espiritualidade era aquele mesmo que me propiciava a visão dos obeliscos das tradicionais paróquias do tradicional bairro paulistano.

 

Pelo início deste século, quando ainda trabalhava em Sampa, pude acompanhar o crescimento dos prédios nas imediações da avenida Nazaré – área nobre do Ipiranga – e dei de barato, inevitável mesmo, o lento desaparecer da torre da Imaculada Conceição do meu campo de visão.

 

Foi o que aconteceu.

 

Fiquei triste, mas não lamentei. Restara a da Nossa Senhora Aparecida, construída na rua Labatut, onde só havia casas térreas; quando muito,  sobrados. Fiquei mais ou menos tranqüilo. Até porque não sei quanto mede a torre, mas é altíssima.

 

Deixei de trabalhar no jornal há algum tempo – e tenho ido raras vezes a São Paulo. Quase sempre troco o percurso: troco o perímetro urbano da Anchieta pelas quebradas da Vergueiro.

 

Enfim, não passava pela região há algum tempo.

 

Ontem, porém, tornei ao velho caminho para o Ipiranga e me espantei com o que vi.

 

Vocês já devem imaginar...

 

Falta um tantinho para que se perca a visão da torre da igreja Nossa Senhora Aparecida, espremida por um 'cinturão' de ‘espigões’; alguns ainda em construção.

 

-- Deus nos abençoe, murmurei; mais em tom de desalento do que de silenciosa oração.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h58
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Sorte grande

Foto: Jô Rabelo

 

 

Era repórter – e não me lembro qual o dever de ofício e o porquê esperava o carro de reportagem vir me resgatar naquela noite de sábado, ali, nas imediações da rua Avanhandava.

 

Estava visivelmente mal-humorado.

 

Tinha meus motivos.

 

Olhava ao redor e a faina a se divertir naquele canto do mundo.

 

O entra-e-sai dos restaurantes.

 

O vozerio. O trânsito.

 

Os casais enamorados ou não.

 

Todos no lazer, no bem-bom.

 

A sensação era de que era o único ali que estava no trampo àquela hora.

 

Não tinha direito a nada. Nem com quem reclamar.

 

Até o seo Elizeu, o nosso motorista, dera de atrasar.

 

É provável que estivesse curtindo o netinho:

 

-- Sábado é dia de ver o guri, dizia.

 

Não estranharia se esquecera do compromisso.

 

Combinamos em frente ao Restaurante Giggeto.

 

Para lá me encaminhei ressabiado.

 

Fiquei mais conformado com a minha sorte ao ver um senhorzinho que em vão tentava vender bilhetes de loteria aos frequentadores do lugar.

 

-- Hoje, está difícil.

 

Ele me disse puxando assunto.

 

Concordei no ato, e também me pus a lamentar minha sina de trabalhador naquele sábado esplendoroso.

 

Desconfio que exagerei nas tintas – o que não é raro em meus relatos.

 

Tanto que o senhor logo tratou de atenuar o próprio labor.

 

Disse que as pessoas eram até carinhosas com ele – e sempre o ajudavam.

 

Talvez em respeito aos seus cabelos brancos.

 

Sem contar que já assistira a cenas de emocionar à porta daquele estabelecimento.

 

-- Vi a dona Dercy Gonçalves ser aplaudida de pé por todos os freqüentadores ao sair do Giggeto. Foi uma coisa espontânea, emocionante mesmo.

 

Em outra ocasião, ele lembrou que ofereceu “a sorte grande” a um casal que saía do mesmo restaurante. O rapaz, com ares de apaixonado, pagou o bilhete, mas não quis levá-lo.

 

-- Meu senhor, fique com o número. Tomara que ganhe. Seria abusar da graça divina eu ganhar de novo. Hoje, eu já tirei a sorte grande. Olhe pra ela...

 

E abraçou a moça que estava ao seu lado. Lindíssima, por sinal.

 

Não esbocei qualquer comentário. E ele continuou:

 

-- Em uma noite como esta, neste mesmo lugar, vi uma cena triste. Um moço, assim da sua idade, chegou e o maitre perguntou a ele: “O senhor está só”. E o moço, assim da sua idade, respondeu: “Sozinho, e mal acompanhado”. Era um rabugento...

 

Ainda bem que seo Elizeu chegou.

 

Achei que o velhinho estava me provocando.

 

A mim – que não comprei bilhete algum – e ao meu mau humor.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 11h03
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A era do gelo

FreePhotosBank

 

 

 

Uma antiga história...

 

Lá pelos idos de 1961/62, o Palmeiras contratou a revelação do campeonato paulista, o centro avante Picolé, que jogava no São Bento de Sorocaba. O garoto tímido – mas, artilheiro nato, um estilo parecido como o de Keirrison – viria para disputar posição com o titular de então, o veterano Vavá. Como o Peito de Aço era nome certo na convocação para a Copa do Mundo do Chile, abrir-se-ia a oportunidade de Picolé se firmar na equipe. Bastava jogar o que jogou e fazer os gols que fez na temporada anterior pelo pequeno São Bento.

 

Aproveitando a deixa e o curioso apelido do rapaz, o apresentador da TV Tupi, Jerdi Gomes, tascou-lhe a seguinte pergunta no programa esportivo que a emissora exibia no horário do almoço:

 

-- Picolé, quer dizer então que você veio para o Palmeiras e vai aproveitar esses jogos para congelar o Vavá?

 

A resposta me é inesquecível:

 

-- É o que eu quero. Mas o Vavá também pode voltar e me derreter.

 

Foi o que aconteceu.

 

Desconfio que são esses ‘congelamentos’ próprios ao futebol que melhor explicam o inverno em plena primavera quase verão da atual fase do Palmeiras. O Verdão perdeu o campeonato mais ganho entre tantos que o time disputou.

 

Evidente que meninos como Souza, Maurício, Diego Souza, Armero e outros se congelaram quando se viram na iminência de abrir significativa vantagem sobre os demais competidores. Seriam, assim, naturalmente campeões brasileiros.

 

Óbvio que a série de contusões – Maurício Ramos, Pierre, Edmilson e Cleiton Xavier –  também contribuiu para evidenciar que o elenco do Palmeiras não tem a têmpera de vencedor.

 

Do Wagner Love, nem falo.

 

Ele voltou congelado da Rússia.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h37
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O diploma

 

Está no site da Federação Nacional dos Jornalistas:

 

Câmara assegura a constitucionalidade do diploma

 

Em votação simbólica ocorrida na manhã desta quarta-feira (11/11) a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09. A FENAJ prossegue com a vigília nacional em defesa da profissão de jornalista e pela aprovação da matéria, agora na CCJC do Senado. Para acompanhar a tramitação na Comissão, clique www.fenaj.org.br

 

A votação na CCJC da Câmara ocorreu através do voto das lideranças das bancadas com presença na Comissão. O único voto contrário foi da bancada do PSDB. “Esta votação é um atestado da constitucionalidade da exigência do diploma e uma garantia de que não existe conflito entre a regulamentação profissional dos jornalistas e o direito à livre expressão”, comemorou, eufórico, o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

Na tarde desta quarta-feira os sindicalistas reúnem-se com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. A ideia é agilizar a formação da Comissão Especial, compromisso já assumido pelo presidente da casa, Michel Temmer, para agilizar a tramitação da PEC.

 

 

Todas as atenções dos jornalistas

voltam-se para a CCJC do Senado

 

 

De autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a PEC 33/2009 já tramita na CCJC do Senado. Relator da matéria, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), deu parecer favorável à aprovação da Proposta. Após a aprovação da PEC 386/09 na CCJC da Câmara, nesta quarta-feira, as atenções do movimento em defesa do diploma voltam-se, agora, para a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania do Senado.

A comemoração da grande delegação de representantes das entidades sindicais dos jornalistas presentes na sessão da CCJC da Câmara foi curta. Logo após a aprovação da PEC 386/09, nesta quarta-feira, os sindicalistas dirigiram-se para a CCJC do Senado, que também estava reunida e onde a PEC 33/09 já está na pauta. Estiveram presentes, além de dirigentes da FENAJ, representantes dos Sindicatos do RS, PR, SP, Município do RJ, ES, MG, DF, AL e CE.

Segundo o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, a perspectiva era de que houvesse pedido de vistas na CCJC. “A votação na CCJC do Senado pode ocorrer já na próxima semana. E sabemos que os donos da mídia tentarão impedir a aprovação. Por isso nossa vigília, mobilização e busca de sensibilização dos senadores, a partir de agora, é permanente”, disse.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h28
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Iglesias, Benjor e Venturini

Foto: Camila Bevilacqua 

 

Certa vez, em entrevista, ouvi o cantor Júlio Iglesias dizer:

 

-- Sou apenas um homem só.

 

Não é e nunca foi.

 

Mas, fez um charme danado.

 

II.

 

Fui escalado para fazer uma reportagem com Benjor.

 

Ele faria uma apresentação no antigo Palace, ali, em Moema.

 

E foi lá mesmo que fizemos a entrevista.

 

Para quebrar as formalidades, perguntei se era verdade que ele, quando jovem, chegou a jogar no Flamengo.

 

O fotógrafo tinha uma bola de futebol no carro.

 

E sugeriu que as fotos fossem feitas antes.

 

Com o cantor/compositor fazendo ‘embaixadinhas’ na área do estacionamento.

 

O homem se empolgou.

 

Queria bater o próprio recorde.

 

Quase perco a entrevista.

 

Os jornalistas, que tinham um horário após o meu, não gostaram nada nada...

 

III.

 

Numa conversa informal, após a entrevista coletiva, Flávio Venturini que fez “Espanhola” sem ter plena consciência do que estava fazendo.

 

Explica-se.

 

O cantor/compositor mineiro estava em São Paulo, mais precisamente no bairro de Pinheiros, próximo ao estúdio de gravação do músico e também compositor Guarabyra, da dupla Sá e Guarabyra.

 

Depois de fazer uma ronda pelos bares e botecos do lugar, resolveu voltar para o hotel, onde se hospedara. Antes, porém, para a saideira, passou no estúdio do amigo. Ali, entre umas e outras, ficaram ‘brincando’ de compor e tocar violão.

 

Acabou por pernoitar ali mesmo.

 

Só no dia seguinte, foram se dar conta que, além de uma ressaca das brabas, eles dividiam uma das mais belas canções de amor da MPB.

 

“Te amo espanhola

Te amo espanhola

Se for chorar...

Te amo.”

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h37
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Éramos bairristas

Foto: Jô Rabelo

 

Gosto e não gosto de escrever sobre futebol.

 

É uma das raras coisas que ainda mexem comigo nessa altura da vida.

 

Não gosto porque, quando “garro” na conversa, fica difícil de largar.

 

Nada, nada já vou para o quarto post seguido sobre o assunto.

 

E nem falei do quase gol de Obina e do desabafo do presidente Belluzo...

 

É que vou ligando uma lembrança à outra, a outra a uma e por aí vou indo, vou indo e acabo fondo...

 

Falo lembrança e peço que me entendam.

 

Particularmente considero que a nossa paixão pelo futebol tem o ápice quando somos crianças.

 

Os boleiros parecem superhomens, invadem nossos sonhos e aspirações.

 

É o que imaginamos ser quando nos transformarmos em adulto.

 

Por isso, vira-e-mexe, retomo àquele tempo de reinado e encantamento pelas plagas do Reino Unido do Cambuci.

 

Antes de terminar, e ainda sobre o costume de ter um time em cada lugar, algo mais me intrigava naqueles tempos idos, além do amigo(?) Betão que pegava literalmente no meu pé: o fato de que éramos extraordinariamente “bairristas”, como se dizia então.

 

Explico.

 

Sempre que jogava um time de São Paulo contra outro do Rio, não tínhamos a menor dúvida em torcer pelo representante paulista.

 

Era comum irmos assistir a todos jogos que aconteciam no Pacaembu.Até porque crianças até 12 anos não pagavam ingresso. E, vou lhes dizer, íamos lado a lado de corintianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas (mas, aí era até covardia porque ver Pelé & Cia jogar era mesmo um espetáculo) para sinceramente torcer contra os adversários cariocas.

 

Diferentemente do que hoje acontece.

 

A rivalidade entre os co-irmãos é bem mais acirrada.

 

Pode parecer uma heresia.

 

Mas assim é que era...

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h51
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Torcedor de um time só (2)

Foto: Camila Bevilacqua

 

Mesmo à distância, ser torcedor do Ameriquinha tinha lá suas vantagens.

 

O time tinha jogadores inesquecíveis.

 

Um deles, o ponta esquerda Nilo transferiu-se para o Palmeiras, reforçando meus argumentos de clube co-irmão.

 

Havia também goleiros Ari e Pompéia.

 

Diziam maravilhas de um ponta-direita chamado Calazans.

 

Mais tarde apareceram o craque Edu, irmão de Zico que era cobiçado pelo Palmeiras, e Djalma Dias, um dos melhores zagueiros que vi jogar; senão o melhor.

 

Djalma Dias também defendeu o Palmeiras. Fez parte da primeira Academia.

 

(Inesquecível. Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina e Ferrari, Dudu e Ademir da Guia, Gildo, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo.)

 

Estava tudo muito bom. Quando outra vez o amigo Betão resolveu por em dúvida meu amor pelo Palmeiras.

 

Eu acabara de voltar de uma viagem de férias, com meu tio Nininho.

 

Fiquei em uma fazenda em São José do Rio Preto, cidade que tem um clube chamado América e que disputava o Paulista da primeira divisão. Inclusive tirando pontos preciosos dos grandes paulistanos, especialmente quando jogavam em Rio Preto.

 

De volta a São Paulo, soube da novidade.

 

Na turma, havia fortes rumores de que eu passara a torcer pelos dois Américas, o do Rio e o de São Paulo. Portanto – e mais grave – não estava mais habilitado a ser proprietário do time de botão não mais representava o Palmeiras no campeonato da rua Muniz de Souza.

 

Queriam cassar meus direitos e a honra caberia a um novo morador, um garoto de nome Giuseppe, que ainda por cima era italiano, o que legitimava ainda mais a mudança.

 

Briguei firmemente para manter a chancela alviverde – e consegui.

 

Para evitar novos malentendidos, desisti de torcer por qualquer outro clube que não fosse o Verdão.

 

Aliás, só quero fazer mais um registro.

 

Com um amigo como o Betão, quem precisava de inimigos?

 

Diria que me lembrei dele quando soube que o Simon seria o árbitro do jogo Palmeiras e Fluminense no domingo.

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 00h27
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Torcedor de um time só

Foto: Camila Bevilacqua

 

Sei que não é dia de lembrar essas coisas.

 

Mas, o que se há de fazer.

 

Nem só de lamentações pelo quase gol de Obina vive um palmeirense, como eu.

 

Aliás, no embalo do texto de ontem sobre a conquista do Vasco, lembrei-me dos tempos de criança.

 

Era moda torcer por um time aqui e outro no Rio.

 

Hoje, pelo que vejo, há quem tenha um time aqui, outro no Rio, outro em Minas, mais outro no Rio Grande do Sul etcetc.

 

Do jeito que o futebol anda globalizado há quem tenha times preferidos espalhados mundo afora.

 

Eu mesmo tenho um sobrinho, o Nico – e já registrei isso em post antigo – se diz torcedor do Palmeiras e do Milan.

 

De repente, não duvido, teremos torneios interplanetários, transmitidos ao vivo e a cores, mediante módicas assinaturas em canal da TV paga.

 

Ou será que a Globo se interessaria nesses jogos para completar a grade de programação?

 

Talvez.

 

Se ela pudesse determinar o horário dos jogos e – importante! – a competição tivesse ‘mata-mata’ nas finais.

 

Especulações intergalácticas à parte, lembro-me que, quando criança, bem que tentei torcer por outro clube.

 

Era moda, como já disse, ter um time em São Paulo e outro no Rio, que deveria ser quase similar deste. Assim, quem era corintiano aqui deveria torcer pelo Flamengo no Rio, os dois são considerados time do povo.

 

Pelas listas negras das camisas – e muito pelos ataques fabulosos que os dois clubes tiveram – Botafogo (de Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo) e Santos (de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe) eram considerados clubes irmãos.

 

Quem era tricolor aqui (São Paulo) seguia tricolor no Rio (Fluminense).

 

Sobrava o Vasco.

 

Mas, nunca me surpreendi a torcer pelo Vasco.

 

Meu pai dizia que era o time da colônia portuguesa.

 

Portanto, o equivalente dele em Sampa era a Lusa.

 

Como o pai sempre tinha razão, pensei em relevar o fato de ser tricolor e pó-de-arroz e ser Fluminense no Rio. Havia três motivos especialíssimos: trazia as cores da Itália, tinha um goleiraço (Carlos Castilho) e a camisa era lindíssima.

 

Mas o meu amigo Betão, que era são-paulino, falou que eu estava me preparando para ser um ‘vira-casaca’, também por aqui.

 

Fiquei sem graça com o comentário.

 

Tinha um nome a zelar.

 

Uma reputação, de bom palestrino.

 

Voltei a ficar sem time no Rio.

 

Foi só por uns tempos.

 

Até que o América tornou-se campeão carioca de 1960.

 

Aí botei a maior banca.

 

Mas, como disse acima, foi só por uns tempos.

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 08h25
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Ô o Vascão voltôôô, o Vascão voltôôô, O Vascão voltôôô ô...

Foto: Jô Rabelo 

 

 

Antes de mais nada, a informação.

 

Para quem não se liga na Segundona explico rapidamente:

 

Neste ensolarado sábado, o Vasco venceu o Juventude por 2x1, em jogo sofrível, mas com um Maracanã lotadasso: mais de 81 mil pessoas presentes.

 

Com essa vitória, abriu 13 pontos do quinto colocado – o Figueirense.

 

Como faltam quatro rodadas para o fim do campeonato, um lugar entre os quatro primeiros – e o conseqüente acesso – está matematicamente assegurado.

 

Agora, a ressalva:

 

Quem aqui me acompanha sabe que sou palmeirense.

 

E nem sou do tipo que torce por um clube em cada estado, em cada país, em cada planeta.

 

Concluindo, o comentário:

 

Tenho bons motivos para estar feliz com a volta do Vasco à elite do futebol brasileiro.

 

A saber:

 

A história do Vasco é muito linda.

 

É o primeiro clube brasileiro a reconhecer que o futebol era mesmo um esporte popular.  

 

Foi o primeiro a abrir as portas para os negros, lá nos antigamente, quando só à elite era dado o direito de correr atrás da redonda.

 

Outro ponto.

 

Depois de anos subjugado por uma administração autoritária e desastrosa, é bonito ver esse renascimento nas mãos do presidente/ídolo/boleiro, Roberto Dinamite.

 

Importante essa volta por cima, no campo e fora dele, que o Vasco está dando.

 

Ressalto também o trabalho de Dorival Júnior como técnico.

 

Não tenho duvido que esta conquista o coloca entre os melhores do Brasil.

 

Gosto da serenidade de suas declarações. Nas vitórias e nas derrotas.

 

Tem juízo e um futuro promissor.

 

Por fim, a recuperação de um garoto bom de bola, Carlos Alberto, que até então andava ruim da cabeça, o que o fazia “doente” do pé.

 

Meus aplausos, pois, pois, à nação cruzmaltina.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 18h46
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A Voz do Mestre

Foto: Camila Bevilacqua

 

“Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora. Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo Amanhã, porque o Amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade.

 

“Vim para viver na glória do Amor e na luz da beleza, que são reflexos de Deus. Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte.

 

“Vim aqui para ser todos e com todos, e o que faço Hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens.

 

“O que digo hoje com apenas meu coração será dito Amanhã por milhares de corações.”

 

Kahli Gibran, no prefácio do livro A Voz do Mestre.

 

  • Os textos de Gibran (1883-1931), escritor e artista plástico libanês, pretendiam promover o auto-conhecimento e fazer com que as pessoas se descobrissem como ponto de partida “para a descoberta da beleza, o deslumbramento da verdade e a revelação de Deus”. Uma busca cada vez mais ausente entre as premissas da sociedade contemporânea. “O Profeta” foi seu livro de maior sucesso.

 



Escrito por Rodolfo C. Martino às 09h05
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Chiquinho Batista

Foto: Walter Silva

 

Eu o chamava de “O Vereador do Ipiranga”.

 

Seu nome: Francisco dos Santos Batista Filho.

 

Chiquinho Batista, para o eleitorado que o escolheu lá nos confins dos anos 50 para duas ou três legislaturas.

 

Era janista convicto.

 

E foi o fundador de Gazeta do Ipiranga, onde atuou até 1961, quando vendeu o semanário para o casal Tonico Marques e Araci Bueno.

 

Quando eu o conheci, fim dos anos 70, ele estava afastado das lides públicas.

 

Beirava os 60 anos e, numa das tantas entrevistas que fiz com ele, me garantiu que só voltaria à vida pública “o grande Jânio Quadros” (no entender dele) o convocasse.

 

Foi o que aconteceu em 1985.

 

Contra tudo e contra todos, Jânio deu um chocolate eleitoral em Fernando Henrique Cardoso e se tornou prefeito de São Paulo.

 

Chiquinho se fez vereador.

 

Sua volta à Câmara Municipal não foi tão bombástica quanto das vezes anteriores.

 

Ele apenas sorria quando comentávamos o episódio em que levou um cesto de cobras à Prefeitura e as soltou no gabinete do prefeito Prestes Maia.

 

A cena entrou para o folclore da política paulistana.

 

-- O homem não quis acreditar quando lhe disse que o Alto do Ipiranga estava infestado de cobras. Foi o jeito que dei para provar o que eu dizia. Agora, eu não faria isso.

 

Àquela altura da vida, Chiquinho já desenvolvia um tratado próprio de Filosofia e Doutrina que dividia em capítulos. A cada um desses manifestos, denominava de “Mensagens Cósmicas” e, impressos em papel sulfite e grampeados, presenteava amigos e pessoas interessadas em suas perolações.

 

Não fui propriamente um amigo de Chiquinho Batista, mas recebi uma dessas mensagens, a de número 10. Tem 197 tópicos. Um deles fala dos cinco sentidos da vida, segundo o autor. A saber:

 

Austeridade.

 

Generosidade.

 

Sinceridade.

 

Seriedade.

 

Gentileza.

 

“Se for austero, será respeitado. Generoso, conquistará tudo. Sincero, se fará confiável. Com seriedade, sempre alcançará êxito. E o homem gentil é um ser superior”.

 

Lembrei dele hoje quando vasculhei meus guardados e encontrei a rústica apostila.

 

Chiquinho era Rosa Cruz; e cumprimentava o Sol, sempre ao meio-dia.



Escrito por Rodolfo C. Martino às 03h17
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem

Rodolfo Carlos Martino é mestre em Comunicação Social. Leciona na Universidade Metodista, onde responde pela coordenação do curso de jornalismo, desde 2005. Foi diretor de Redação de Gazeta do Ipiranga por 28 anos. Autor do livro "Às Margens Plácidas do Ipiranga".

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